A Apple barrou atualizações de aplicativos chineses – como Tiktok e QQ – após estes tentarem uma espécie de contorno de sua política obrigatória de privacidade. Basicamente, as empresas apostaram que a gigante de Cupertino não teria a coragem de barrar seus aplicativos na nação asiática.

Elas estavam erradas. Muito erradas.

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Diversos aplicativos tentaram usar um outro meio – mais permissivo – de controle de privacidade e segurança de usuários, fomentado pelo próprio governo chinês. A situação não agradou a Apple, que barrou barrou os programas de receberem qualquer atualização dentro da loja virtual da empresa – a App Store -, mostrando que a companhia liderada por Tim Cook não tem medo de uma boa briga.

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Imagem mostra a logomarca da Apple ao fundo, com um cadeado à frente
Depois das empresas duvidarem, Apple decidiu reforçar sua política de privacidade na China, alienando apps locais de atualizarem seus programas na App Store. Imagem: Alberto Garcia Guillen/Shutterstock

Contextualizando: a Apple criou uma nova política de privacidade chamado “IDFA” (sigla em inglês para “Identificador Apple para Anunciantes”. A grosso modo, a ferramenta permite que publicitários saibam se o usuário que visualizou seu anúncio corresponde à mesma pessoa que acessou seu site oficial ou aplicativo, por exemplo.

O IDFA da Apple, porém, não oferece formas de identificar a pessoa, escondendo seu nome, data de nascimento e outras informações, limitando seu perfil apenas a um código exclusivo. Nos últimos anos, porém, a empresa de Cupertino decidiu ir mais além, abrindo espaço para que o IDFA só seja usado pelos publicitários mediante permissão expressa do usuário. Em suma: se uma empresa quiser monitorar suas atividades, você é quem deve deixá-la.

A adoção dessa prática é obrigatória para aplicativos veiculados na App Store mas, evidentemente, a situação não favoreceu as grandes empresas, já que a média de adoção do IDFA após essa implementação ficou estagnada em 12%, segundo levantamento da Flurry Analytics.

Na China, porém, as empresas por trás de grandes aplicativos apostavam que a Apple não promoveria nenhum bloqueio a quem não obedecesse à política, preferindo adotar o sistema conhecido como “CAID” (sigla para “ID Chinesa de Publicidade”). Vale lembrar que esse tipo de contorno é expressamente proibido pela Apple segundo seus termos de uso para desenvolvedores.

Se vendo confrontada, a Apple fez valer suas regras, banindo qualquer aplicação que usasse o CAID. Esse “banimento”, porém, não é do tipo que exclui um app da loja virtual (como aconteceu com Fortnite), mas impede que ele receba devidas atualizações.

“ A Apple manteve com claridade a sua posição, pouco depois de bloquear updates a vários aplicativos chineses flagrados em uso do CAID em seu software na App Store”, disse reportagem sobre o assunto no Financial Times. “Segundo várias fontes na China e em Hong Kong, após a retaliação da Apple, o CAID perdeu seu apoio e todo o projeto perdeu tração”.

Segundo Alex Bauer, chefe de marketing de produto da agência de publicidade digital Branch, a situação foi, em termos nada técnicos, o famoso “duvido” que deu muito errado para as empresas, e muito certo para a Apple. “O ecossistema chinês de aplicativos estava ‘provocando um touro bravo’ com o CAID, presumindo que a Apple não daria conta de banir todos os apps majoritários do mercado”, disse o especialista.

“A Apple encarou esse blefe e parece ter reafirmado seu controle sobre a situação, agressivamente fechando o cerco para os primeiros proponentes [do CAID], antes que o consórcio publicitário governamental ganhasse força”, ele continuou.

A situação agora está nas mãos das desenvolvedoras: ou elas se adequam ao IDFA previsto pela Apple em sua política de privacidade, ou continuarão sem suporte da empresa de Cupertino na China.

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