Astrônomos da Nova Zelândia tiraram vantagem do fuso-horário: foram os primeiros a detectar os sinais iniciais de atividade no cometa de tamanho recorde C / 2014 UN271, também conhecido como Bernardinelli-Bernstein.

Ilustração 3D mostra o distante cometa Bernardinelli-Bernstein como ele poderia se parecer no Sistema Solar exterior. É o cometa mais distante a ser descoberto em seu caminho de entrada. Imagem: NOIRLab / NSF / AURA / J. Da Silva

Eles puderam observar e registrar uma coma, ou zona de gás e poeira, espalhando-se em torno do megacometa, que pode ter mil vezes mais massa do que um cometa típico. E mais: pode ser o cometa mais massivo já encontrado em toda a história.

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O registro aconteceu no dia 23 de junho, às 4h00 da manhã pelo horário do Meridiano de Greenwich, quando já eram 17h na Nova Zelândia. A equipe que monitora as imagens capturadas pelo Observatório Las Cumbres (LCO) está espalhada pelo mundo, e as imagens foram capturadas por um dos telescópios do LCO hospedados no Observatório Astronômico da África do Sul.

“As outras pessoas estavam dormindo”, lembrou Michele Bannister, membro da equipe da LCO, da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, em um comunicado divulgado nesta quarta-feira (14).

Satélite passando pelo campo de visão quase impediu captura das imagens do megacometa

Num primeiro momento, no entanto, Bannister pensou que as novas imagens seriam um fracasso, graças ao problema sempre presente de satélites passando pelo campo de visão dos telescópios.

“A primeira imagem teve o cometa obscurecido por um rastro de satélite, e fiquei decepcionada”, revelou. “Mas as outras foram claras o suficiente, e lá estava, definitivamente, um lindo pontinho difuso, nem um pouco nítido como as estrelas vizinhas”, comemora a astrônoma.

O que chamou sua atenção foi ver uma coma volumosa emergindo a uma distância incrível do sol. Quando a imagem foi feita, Bernardinelli-Bernstein estava a cerca de 19 unidades astronômicas (UA) do Sol. (Uma UA é a distância média da Terra ao Sol — cerca de 150 milhões de quilômetros). Isso é quase o dobro da distância entre Saturno e nossa estrela. 

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Dito isso, o cometa tem muita massa disponível para aquecer. O enorme núcleo de Bernardinelli-Bernstein é estimado em mais de 100 km de diâmetro, que é três vezes maior que o próximo maior núcleo de cometa conhecido — o do Hale-Bopp, um famoso cometa visto a olho nu que passou pela Terra em 1998. 

Infelizmente para os astrônomos ansiosos, no entanto, Bernardinelli-Bernstein não vai chegar muito perto de nosso planeta. A abordagem mais próxima do megacometa ao Sol ainda será além de Saturno, em janeiro de 2031, tendo os astrônomos uma década para planejar essa observação. 

Com informações da Space.com

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