Uma pesquisa publicada no The Lancet Oncology estima que o consumo de álcool tenha sido responsável por mais de 740 mil casos de câncer em todo o mundo durante o ano de 2020. O estudo sugere ainda que, mesmo o baixo nível de ingestão de bebidas alcoólicas, pode ser suficiente para aumentar o risco de desenvolver a doença.

Diversos estudos já demonstraram que o consumo excessivo de álcool pode causar vários tipos de câncer, incluindo os de mama, fígado, cólon, reto, orofaringe, laringe e esôfago. No entanto, de acordo com informações do tabloide The Guardian, a consciência para o risco entre a população é baixa. Um estudo realizado no Reino Unido, em 2018, revelou que apenas uma em cada 10 pessoas sabiam da relação do álcool com câncer.

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Para chegar ao resultado, o grupo comparou estimativas de consumo de álcool e casos de câncer de 2010 com os números atuais. Os resultados apontaram que o consumo de álcool estava por trás de cerca de 568.700 casos de câncer em homens e 172.600 em mulheres em 2020. Dentre eles, a maioria dos casos de cânceres identificados foram de esôfago, fígado e mama.

Álcool causou 740 mil casos de câncer em todo o ano de 2020, diz pesquisa. Imagem: 5PH/iStock
Álcool causou 740 mil casos de câncer em todo o ano de 2020, diz pesquisa. Imagem: 5PH/iStock

A equipe examinou ainda cada tipo de câncer e suas especificidades, e os tipos de cânceres que mais estão relacionados ao álcool são o de esôfago, faringe, lábio e cavidade oral – sendo os três últimos também conhecidos como câncer de cabeça ou pescoço.

Dados recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revela que o câncer na cavidade oral – um dos cânceres de cabeça e pescoço – é o 5º tipo de neoplasia que mais acomete os homens brasileiros e, de acordo com o oncologista Tiago Cerzósimo de Oliveira, do Hospital São Mateus, em Cuiabá, em entrevista ao Estado de Minas, o câncer na cabeça e pescoço também tem relação com o vício em tabaco (tabagismo).

Os resultados também variaram por regiões, sendo menor no norte da África e no oeste da Ásia, enquanto o número de casos foi maior no leste da Ásia e na Europa central e oriental. 

Medidas para conscientização

Geralmente, o desenvolvimento de cânceres e doenças relacionadas ao álcool é vinda de um abuso de bebidas. No entanto, a pesquisa alerta também para a existência do risco mesmo com baixo consumo. Os dados indicaram que beber até 10g de álcool por dia – equivalente a meio litro ou copo pequeno de vinho – contribuiu com algo entre 35.400 e 145.800 casos em 2020.

Para os pesquisadores, medidas precisam ser adotadas para uma maior conscientização, como adicionar aos rótulos de bebidas informativos – como acontece com cigarros -, aumentar impostos mais altos sobre o álcool e, quem sabe, também reduzir a comercialização do produto.

“O impacto do álcool sobre o câncer é frequentemente desconhecido ou esquecido, então precisamos aumentar a conscientização pública sobre a ligação entre o álcool e o câncer, e políticas para diminuir o consumo geral de álcool para prevenir a carga de câncer e outras doenças atribuíveis ao álcool”, disse Harriet Rumgay, da Agência Internacional de Pesquisa sobre o câncer na França, e coautora do estudo.

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Os cientistas acreditam que os números possam ser ainda maiores, já que não levam em consideração diversos fatores. Para a presidente executiva da Cancer Research UK, Michelle Mitchell, ainda há muito trabalho a ser feito e a esperança é que as análises sejam levadas em consideração pelas autoridades para melhores medidas de prevenção.

“Há fortes evidências de que o consumo de álcool pode causar sete tipos de câncer e, quanto mais alguém bebe, maior é o risco. Não existe um nível seguro de bebida, mas quaisquer que sejam seus hábitos de beber, a redução pode reduzir o risco de câncer. O preço mínimo unitário do álcool, introduzido na Escócia e no País de Gales e em breve na Irlanda do Norte, seria um passo positivo para a Inglaterra e instamos o governo a introduzi-lo aqui”, disse a executiva.

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