Pela primeira vez, cientistas observaram a luz por trás de um buraco negro. A descoberta feita por pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, e publicada nesta quarta-feira (28), em um artigo na revista científica Nature, comprova a teoria da relatividade criada pelo astrofísico Albert Einstein, em 1905.

A extrema gravidade de um buraco negro distorce o espaço ao seu redor, o que permite que a luz “ecoe”. Imagem: Dima Zel – Shutterstock

Sabe-se que os buracos negros são regiões no espaço-tempo nas quais a atração da gravidade é tão poderosa que nem mesmo a luz pode escapar de seu alcance. No entanto, embora a luz não possa escapar de um buraco negro, sua extrema gravidade distorce o espaço ao seu redor, o que permite que a luz “ecoe”, curvando-se ao redor da parte de trás do objeto.

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No recente estudo, pesquisadores liderados pelo astrofísico Dan Wilkins usaram os telescópios espaciais XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), e NuSTAR da Nasa, para observar a luz por trás de um buraco negro supermassivo que fica a 800 milhões de anos-luz de distância, na galáxia espiral I Zwicky 1.

Flashes de luz variam de cor conforme se movimentam circundando os buracos negros

De acordo com o site Space.com, o estudo começou com o desejo dos pesquisadores de expandir a compreensão sobre as molduras circulares dos buracos negros, que são a fonte da luz de raios-X que muitas vezes se irradia da vizinhança desses objetos. 

Clarões brilhantes de raios-X são emitidos por um gás que cai em buracos negros de seus discos de acreção, os discos de poeira e gás que circundam e “alimentam” esses objetos.

A equipe avistou um sinalizador de raios-X em I Zwicky 1 que era tão brilhante que parte da luz refletiu no gás caindo de volta para o buraco negro. Quando a luz refletida foi dobrada ao redor da parte de trás pela extrema gravidade do objeto, a equipe foi capaz de localizá-la.

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Confirmação da teoria da relatividade de Einstein

Segundo a teoria da relatividade, os ecos eram consistentes com os raios refletidos por trás de um buraco negro. De qualquer forma, a compreensão já estudada desses objetos ainda diz que a luz oriunda desse lugar é estranha.

“Qualquer luz que entra ali não sai, então não devemos ser capazes de ver nada que esteja por trás do buraco negro”, afirma Wilkins. “A razão pela qual podemos ver isso é porque aquele buraco negro está deformando o espaço, dobrando a luz e torcendo os campos magnéticos em torno de si mesmo”, explica. 

Assim, a descoberta, como primeira observação direta da luz por trás de um buraco negro, confirma algo que foi previsto por Albert Einstein há mais de 100 anos.

De acordo com Roger Blandford, coautor do artigo, “cinquenta anos atrás, quando os astrofísicos começaram a especular sobre como o campo magnético poderia se comportar perto de um buraco negro, eles não tinham ideia de que um dia poderíamos ter as técnicas para observar isso diretamente e ver a teoria geral da relatividade de Einstein em ação”.

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