Medicina e Saúde

Pesquisa descobre forma de controlar açúcar no sangue com espécie de ‘dobradiça’

03/08/21 23h31
Imagem mostra um dedo perfurado, com uma gota de sangue à mostra. Na outra mão, um teste de diabetes

Imagem: Syda Productions/Shutterstock

Para pessoas com diabetes que são dependentes de insulina, o controle do açúcar é um trabalho de tempo integral. Porém, se a medicação pudesse fazer o trabalho por eles, e se uma insulina cuja atividade na corrente sanguínea responde aos níveis de glicose no sangue se ajustasse de acordo? Uma invenção do professor Michael Weiss, Ph.D. da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, poderia fazer isso acontecer.

Em um estudo inovador, Weiss e sua equipe descrevem o uso de um “interruptor” sintético que pode ser aberto ou fechado usando um sensor de açúcar simples. O estudo foi em parte colaborativo com a Thermalin, que é uma pequena empresa de biotecnologia que Weiss começou em 2008.

O conceito explora um mecanismo natural, chamado de “dobradiça protetora”, que é embutido nas insulinas de vertebrados. A dobradiça protetora é uma característica estrutural que evoluiu há mais de meio bilhão de anos para manter o hormônio estável em seu estado fechado, mas dobrável e funcional em seu estado aberto.

“A razão pela qual uma insulina responsiva à glicose é importante é que a maior barreira para o uso eficaz da insulina, especialmente no diabetes tipo 1, é o medo das consequências do açúcar no sangue descer demais”, pontuou Weiss, que também é o Presidente do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular.

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As consequências imediatas de níveis muito baixos de açúcar no sangue (hipoglicemia) podem incluir delírio, convulsões ou perda de consciência, e episódios repetidos de hipoglicemia grave podem causar declínio cognitivo. Já por outro lado, o açúcar elevado crônico no sangue (hiperglicemia) pode levar à cegueira, derrame ou amputação.

“Com nossa invenção, prevemos que quando o açúcar no sangue cai, a dobradiça se fecha. Mas haverá muito trabalho a fazer para traduzir nossa prova de princípio em um produto aprovado pela FDA”, comentou Weiss.

Nos 100 anos desde a descoberta da insulina, o uso como tratamento para diabetes passou por muitas mudanças significativas. De acordo com Ronald Kahn, diretor acadêmico do Joslin Diabetes Center da Harvard Medical School, a insulina responsiva à glicose pode ser a próxima.

“No estudo recente do laboratório Weiss, vemos um exemplo da próxima fase emocionante do desenvolvimento da insulina, ou seja, o desenvolvimento de um análogo da insulina que, por meio de modificação química, pode detectar o nível de açúcar presente no sangue “, disse Kahn.

Outros tipos de insulinas estão sendo desenvolvidos em outros lugares. O que torna a invenção de Weiss única é o fator de sua simplicidade, pois a dobradiça sintética explora processos que ocorrem naturalmente e introduz menos elementos externos ou artificiais em comparação com outras abordagens.

Fonte: Medical Xpress

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