Um novo relatório do Escritório de Inspeção Geral (OIG) dos Estados Unidos afirma que a missão lunar da Nasa deve ser adiada para pelo menos 2025, uma vez que o desenvolvimento dos trajes espaciais está atrasado. O documento, divulgado hoje (10) chamou o calendário original do Projeto Artemis, onde a missão está inserida, de “inviável”.

Segundo o relatório, a agência espacial americana está em vias de gastar mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,21 bilhões) no desenvolvimento das novas roupas dos astronautas. Entretanto, esse processo ainda deve levar alguns anos e, como ninguém espera que um astronauta vá ao espaço sem roupa, a missão não será lançada em 2024 por conta disso.

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O traje espacial xEMU, cujo atraso no desenvolvimento resultou no adiamento da missão lunar da Nasa para o Projeto Artemis
O traje espacial xEMU é uma atualização da roupa usada por astronautas em viagens espaciais: seu desenvolvimento deveria contemplar o primeiro lançamento do projeto Artemis em direção à Lua, mas atrasos tornarão isso impossível. Imagem: Nasa/Divulgação

“O atual calendário da Nasa envolve a produção de dois trajes xEMUs prontos para uso em novembro de 2024, mas a agência enfrenta desafios significativos para cumprir essa meta”, diz trecho do documento de 41 páginas. “Esse calendário inclui um atraso aproximado de 20 meses na entrega do design, verificação e testes do traje, dois trajes de qualificação final, um traje para demonstração na Estação Espacial Internacional [ISS] e dois trajes de voo lunar”.

O documento segue descrevendo os desafios, mencionando “déficits de financiamento, impactos causados pela Covid-19 e problemas técnicos”, antes de finalizar o parágrafo dizendo que, “devido aos atrasos previstos no desenvolvimento dos trajes, um pouso lunar ao final de 2024, como a Nasa atualmente está planejando, é algo inviável”.

O relatório também identificou outros gargalos no desenvolvimento da missão, e não apenas os trajes em si, mencionando especificamente a plataforma de lançamento SLS (Space Launch System) e a cápsula Orion.

Desde 2007, antes da conceitualização do Projeto Artemis, a Nasa já investiu US$ 420 milhões (R$ 2,18 bilhões) no desenvolvimento do traje espacial xEMU. O plano é que outros US$ 625,2 milhões (R$ 3,25 bilhões) sejam despendidos até 2025. Assim sendo, o OIG antecipa que o lançamento da missão não deve acontecer antes de abril daquele ano.

Ironicamente, o início do projeto de desenvolvimento dos trajes xEMU alocou 12 meses de “janela” para eventuais atrasos e imprevistos – janela essa que já veio e já passou há tempos. O corte orçamentário de US$ 59 milhões (R$ 307,12 milhões) do projeto Gateway, em 2021, atrasou, sozinho, o trabalho dos trajes em três meses.

A situação não deixou de ser notada por outros nomes do mercado espacial: Elon Musk, CEO da SpaceX, tuitou “Parece que tem cozinheiro demais e cozinha de menos”, em uma tradução livre. No mesmo tuíte, ele postou uma captura de imagem de um apêndice do relatório, que mencionava especificamente a relação da Nasa com fornecedores terceirizados. Musk ainda ressaltou que a “SpaceX pode cuidar disso, se eles quiserem”.

Já a Nasa respondeu ao relatório dizendo que pretende revisar o calendário do Artemis, a fim de “fazer caber” um teste do traje para junho de 2022, antes da primeira missão tripulada do projeto, em 2023. Essa primeira missão vai apenas circundar o satélite, sem a parte do pouso – essa vem apenas com a missão Artemis III, sabe lá quando ela chegar.

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