Um ex-engenheiro da Nasa veio a público para acusar a agência do que chamou de “práticas de segurança precárias”, duas semanas após um incidente que levou a Estação Espacial Internacional (ISS) a perder temporariamente o controle de atitude quando o módulo russo Nauka inadvertidamente acionou seus propulsores após ser acoplado à estrutura de 420 toneladas.

Em um artigo assinado por ele próprio e veiculado no site do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), James Oberg afirma que a Nasa permite a condução de uma “cultura podre e erosiva” que faz com que “a segurança seja presumida ao invés de confirmada”, o que faz com que gestores tomem decisões equivocadas que poderão, um dia, levar a algum desastre.

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Imagem mostra a Estação Espacial Internacional, cujo incidente recente foi, segundo um ex-engenheiro, reflexo da Nasa e sua prática de segurança precária
A Estação Espacial Internacional perdeu momentaneamente seu controle de atitude há duas semanas. Segundo ex-engenheiro da Nasa, isso é reflexo de uma política “relaxada” de segurança assumida pela agência. Imagem: Nasa/Shutterstock

“Embora a causa do incidente [com o Nauka] ainda esteja sendo desvendada, há sinais preocupantes de que a Nasa possa estar repetindo alguns dos lapsos que levaram às perdas dos ônibus espaciais Challenger e Columbia, bem como de suas tripulações”, disse Oberg em seu artigo. “E como as pressões políticas parecem estar direcionando muito desse problema, só uma investigação independente, com sério peso político, pode reverter uma erosão da cultura de segurança”.

Em outro trecho, Oberg diz que “a Nasa vem passando pela mesma podridão cultural de presumir a segurança, igual a décadas passadas, com consequências horríveis”. Segundo ele, as equipes por trás do desastre do ônibus espacial Challenger, destruído em 1986 após uma falha durante o lançamento, detectaram e tentaram avisar sobre potenciais problemas.

“Membros do time no ano anterior ao lançamento da Challenger (e eu estava imerso nas operações de controle de missão na época) perceberam problemas e começaram a reclamar suas preocupações sobre a crescente falta de cuidado e até mesmo reações de deboche para ‘erros estúpidos’ ocasionais, sem nenhuma atitude sendo tomada”.

Oberg fecha seu artigo pedindo ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a Bill Nelson, administrador-chefe da Nasa, que criem um comitê independente de investigação para aferir as causas de incidentes como o do Nauka.

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