Um estudo feito pela Universidade de Cornell em parceria com a Universidade da Carolina do Sul aponta que o aquecimento dos oceanos levou ao afastamento da população de baleias francas do Atlântico Norte do seu habitat tradicional e protegido. Dessa forma, os animais passam a ficar mais expostos a choques de navios, à pesca comercial e à redução significativa das taxas de procriação, o que os coloca, inevitavelmente, no caminho da extinção.

Baleia franca entra para a lista dos animais em extinção devido ao aquecimento dos oceanos. Imagem: Catherine Withers-Clarke – iStock Photo

“A maior parte do aquecimento no Golfo do Maine [costa nordeste dos EUA] não vem da atmosfera ou da superfície do oceano, como se possa pensar”, explica o autor sênior do estudo, Charles Greene, professor emérito do Departamento de Ciências da Terra e Atmosféricas em Cornell. 

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Ele afirma que o fenômeno vem da invasão da água nas encostas, muitas centenas de metros abaixo da superfície do oceano, forçando as baleias francas a abandonar o seu habitat natural.

Número de baleias francas reduziu quase 30%

Desde 2010, a taxa de partos caiu, e a população de baleias francas foi reduzida em cerca de 26%. Naquela época, a população de baleias francas do Atlântico Norte era superior a 500. Agora, está em somente 356, de acordo com o Consórcio da Baleia Franca do Atlântico Norte.

Por essa razão, a espécie consta na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza. 

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A água quente da encosta que entra profundamente no Golfo do Maine deriva seu calor da Corrente do Golfo, e esta corrente mudou drasticamente a sua trajetória nos últimos dez anos.

“Devido ao aquecimento global, a Circulação Meridional do Atlântico está diminuindo, fazendo com que a Corrente do Golfo se mova para o norte, injetando águas mais quentes e salgadas das encostas no Golfo do Maine”, disse Greene.

Aquecimento dizimou a população de crustáceos que alimentam as baleias 

De acordo com a pesquisa, o aquecimento do Golfo do Maine reduziu a abundância de copépodes, os minúsculos crustáceos que são o alimento favorito das baleias francas, o que colaborou com a migração da espécie rumo ao norte, para as águas mais frias do Golfo de St. Lawrence.

Desde 2015, os cientistas vêm observando um aumento no número de baleias francas se alimentando no Golfo de St. Lawrence, local onde não havia proteções para evitar batidas de navios e emaranhamento em equipamentos de pesca. 

Em consequência, houve um evento de mortalidade incomum declarado pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) em 2017, quando 17 mortes de baleias francas foram confirmadas no local. Em 2019, foram dez baleias francas encontradas mortas, enquanto que, em 2020 e 2021, quatro mortes já foram registradas até agora.

“As baleias francas continuam a morrer a cada ano”, disse Erin Meyer-Gutbrod, professora assistente da Universidade da Carolina do Sul, coautora do estudo, fazendo um alerta: “As políticas de proteção devem ser reforçadas imediatamente antes que essa espécie decline além do ponto de não retorno”.

Com informações do site Mood.

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