A Toyota anunciou na última terça-feira (7) que vai investir pelo menos US$ 13,5 bilhões (em torno de R$ 71 bi) em tecnologia de mobilidade elétrica para se tornar uma líder do segmento nos próximos anos.

Até 2030, a fabricante planeja vender cerca de 8 milhões de veículos movidos a bateria, pelo menos 25% destes totalmente elétricos. Além disso, a meta é que os custos de produção caiam em 30% — hoje as despesas circulam em torno de US$ 100 por kWh — com o desenvolvimento de novos componentes e estruturas celulares.

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“Nosso objetivo é melhorar o consumo de energia, que é um indicador da quantidade de eletricidade usada por quilômetro, em 30%, começando com o Toyota bZ4X”, explicou o diretor de tecnologia Masahiko Maeda, em entrevista coletiva.

Os planos da Toyota vão além dos carros com bateria de íon-lítio. No mesmo dia, o executivo também confirmou o primeiro teste de um protótipo com bateria de estado sólido.

No vídeo divulgado pela fabricante, o veículo aparece movimentando-se de forma autônoma e estampando um decalque com os dizeres “powered by all-solid state battery” (“movido a bateria totalmente de estado sólido”, em tradução livre). O modelo parece ser uma versão do LQ Concept, exibido em 2019 no Salão do Automóvel de Tóquio, e utilizado em diversos comerciais para os Jogos Olímpicos.

Mas qual seria a vantagem das baterias de estado sólido?

O debate em torno da produção das baterias de estado sólido se tornou frequente nos últimos anos por um motivo fundamental: eficiência energética. Por serem menos inflamáveis do que as baterias de íon-lítio convencionais — e, por isso, terem menos riscos de superaquecimento —, elas podem armazenar mais energia e fornecer um tempo de carregamento mais rápido.

Logo, a primeira fabricante a conseguir otimizar a produção dessas baterias em larga escala nos próximos anos poderá ter uma boa vantagem no mercado. Neste sentido, a própria Toyota revelou, no ano passado, uma bateria de estado sólido que pode ser 100% carregada em menos de 15 minutos.

O mais complicado e custoso, no entanto, é justamente a produção em massa, uma vez que essas baterias têm uma tendência, de acordo com a fabricante japonesa, a rachar quando se expandem e contraem, especialmente num uso rotineiro. Ainda assim, a Toyota planeja continuar os testes com o produto e iniciar a fabricação a partir da metade dos anos 2020.

No presente, há poucos exemplos de veículos movidos a baterias de estado sólido em funcionamento. A Mercedes-Benz desenvolveu o ônibus eCitaro para funcionar com células desse tipo, mas ressalvas na manutenção o impedem ainda de ser lançado no mercado. Já a BMW está apostando pesado na tecnologia, prometendo revelar protótipos antes de 2025.

Toyota BZ4X, primeiro automóvel
Toyota BZ4X: primeiro automóvel 100% elétrico da fabricante será lançado em 2022 (Toyota/Divulgação)

Parceria para o Apple Car?

A Toyota, porém, continuará a desenvolver as baterias de íon de lítio com o objetivo de melhorar a vida útil, aumentar a densidade de energia e diminuir o tamanho das células. Para isso, a fabricante espera estabelecer uma rede de abastecimento e sistemas de produção baseados no que chama de “pequenas unidades básicas”.

Além disso, a companhia também aumentará a adoção de baterias de níquel-hidreto metálico nos próximos anos.

A notícia vem na mesma semana em que o DigiTimes Asia publicou uma matéria segundo a qual insiders haviam revelado que a Toyota está conversando com Apple para uma colaboração com o Apple Car. A Toyota entraria justamente com sua tecnologia de baterias.

Apesar de Apple jamais ter aberto a boca a respeito de seu projeto ultrassecreto, e a princípio só ter mesmo um vago boato, o investimento massivo da Toyota indica que, sim, pode ser que tenha caroço nesse angu.

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