As montadoras BMW e Daimler anunciaram que manterão a produção reduzida de novos carros de luxo anualmente mesmo depois da pandemia de Covid-19 — o que resultará na permanência do preço alto dos automóveis. A expectativa é de que a medida impacte o mundo todo, inclusive o Brasil, que já sofre há tempos com a alta dos valores.

A medida, anteriormente uma consequência da crise de semicondutores que abateu no mundo, agora será utilizada para congelar o valor dos veículos e lucrar sobre os compradores atuais, que já desembolsam quantias altas.

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Harald Wilhelm, líder de finanças da Daimler, informou que a montadora estará conscientemente “fornecendo abaixo dos níveis de demanda atuais”. Ao mesmo tempo, a empresa estará se voltando “aos topos de linha, aos veículos de luxo”.

Já o diretor financeiro da BMW, Nicolas Peter, declarou que o plano da fabricante alemã é de manter tanto a quantidade automóveis fornecidos quanto a faixa de preços. “Notamos um aumento significativo do poder de venda nos últimos 24 meses”, comenta.

Congelamento de preços pode ser nova política de venda das montadoras

A alta no preço dos carros começou durante a pandemia, depois que a queda nos fornecimentos agravou a crise dos semicondutores. Automóveis novos, que recebiam descontos de até 15% à vista em mercados sólidos, passaram a ser comercializados por valores acima do estipulado.

Segundo um analista de mercado da Bernstein, Arndt Ellinghorst, todas as etapas do fornecimento estão alegres com isso, inclusive as concessionárias. “A pandemia abriu os olhos de todo mundo — de que um paradigma diferente é possível”, afirma.

O especialista avalia que, só no mercado internacional, a queda de um ponto percentual nos descontos em carros injeta cerca de US$ 20 bilhões no bolso das montadoras. E ele aponta que os descontos no mercado já caíram o dobro dos valores pré-pandemia.

Via Financial Times

Imagem: Divulgação/BMW

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