Uma pesquisa realizada por psicólogos da Edge Hill University apontou que adultos podem desenvolver graves problemas emocionais após um diagnóstico tardio de autismo. Segundo os especialistas, uma boa parcela dos adultos autistas de hoje não foi diagnosticada na hora certa e por isso são considerados uma “geração perdida.”

O estudo, publicado pelo Journal of Autism and Developmental Disorders e divulgado pelo Medical Xpress, levou em consideração a idade do diagnostico, o sexo e o impacto na vida da pessoa e, segundo os resultados, a descoberta tardia da síndrome afeta a saúde mental do adulto.

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 “Como as entrevistas no estudo revelaram, receber um diagnóstico de autismo na idade adulta pode ser altamente emocional. Nessas circunstâncias, uma pessoa muitas vezes sente a necessidade de revisitar quem é, como se explica a outras pessoas e como eles reescreveram sua própria história”, explicou o Dr. Liam Cross.

Os dados mostraram ainda que adultos autistas recém-descobertos tinham qualidade de vida mais baixos e níveis mais altos de traços autistas relacionados à idade do diagnóstico. Além disso, ser adulto, o que daria uma ideia de maior maturidade para lidar com a condição, não teve relevância, ou seja, um acompanhamento especializado também é necessário nos casos de diagnósticos em pessoas já adultas.

Mãos segurando uma fita estampada com um quebra-cabeça colorido
Diagnóstico tardio de autismo pode resultar em anos de trauma, diz especialista. Imagem: SewCream/Shutterstock

“Quase todos os participantes do estudo destacaram a importância da terapia e da dificuldade em receber tratamento. Talvez seja necessário perceber que os adultos que recebem diagnósticos tardios de autismo lidarão com as consequências de anos de trauma, de se sentirem incompreendidos, sem saber o porquê”, disse o Dr. Cross.

 “Em muitos casos, receber um diagnóstico formal pode finalmente ajudar tudo a ‘fazer sentido’ na vida de uma pessoa. Um diagnóstico pode dar aos adultos a chance de recuperar partes de sua história em que foram mal compreendidos e criar suporte para esta porção específica da população autista é vital, se eles quiserem ter os mesmos ganhos na qualidade de vida à medida que envelhecem”, acrescentou também o Dr. Gray Atherton.

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Segundo os médicos, a intenção é que o estudo sirva como base para pesquisas futuras com o objetivo de melhorar os suportes pós-diagnóstico disponíveis para adultos autistas. Eles também ressaltam que a pesquisa mostra a importância de um diagnóstico precoce o suficiente para que o paciente consiga lidar com sua identidade e autoaceitação.

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