Um tipo bastante raro de galáxia foi fotografado pelo Hubble no dia 27 de setembro, exibindo uma espécie de “furacão celestial” com direito a um “olho” registrado pelo telescópio em imenso detalhe.

Estamos falando da NGC 5728, uma galáxia em espiral que se destaca de suas irmãs por ser classificada como “galáxia de Seyfert”, termo usado para designar aquelas onde o núcleo brilha com muito mais luminosidade devido à quantidade maior de gás e poeira cósmica arremessados contra o seu buraco negro central.

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Imagem da galáxia NGC 5728, registrada pelo Hubble e mostrando a espiral que forma uma espécie de "furacão celestial"
A galáxia NGC 5728 – classificada como “galáxia de Seyfert” pelo seu brilho imenso em um núcleo reduzido – tem formato em espiral, lembrando muito um furacão (Imagem: Nasa/ESA/Hubble/Divulgação)

Além da luminosidade incomum (algo em torno de 10 a 10 mil vezes a da nossa Via Láctea), as galáxias de Seyfert são conhecidas por terem núcleos muito pequenos, mas com altíssima atividade energética, o que significa que essa luminosidade pode cair ou subir muito em curtos espaços de tempo. Mais além, elas tendem a ser visíveis em todos os espectros, como infravermelho e raios-x, por exemplo.

A imagem acima foi capturada pela câmera WFC3 (ou “Wide Field Camera 3”) e, segundo a agência espacial europeia (ESA), que opera o telescópio espacial Hubble junto com a Nasa, tem muita coisa acontecendo ao redor da galáxia NGC 5728 que a lente não conseguiu fotografar:

“Conforme mostrado na imagem, a NGC 5728 está claramente observável, e na perspectiva óptica e infravermelha, tudo parece normal”, diz o texto publicado no site oficial da agência europeia. “É fascinante saber, porém, que o centro da galáxia está emitindo imensas quantidades de luz em partes do espectro eletromagnético que a WFC3 simplesmente não é projetada para capturar”.

Muito disso vem dos próprios espectros infravermelho e óptico: como o núcleo da galáxia tem muito, mas muito gás e poeira, isso também esconde coisas que a lente poderia capturar normalmente em uma cena mais “limpa”.

Susto cósmico

Ao longo do período entre junho e agosto de 2021, o Hubble apresentou falhas que colocaram a sua continuidade em dúvida – justamente no ponto em que se aproxima do fim de sua missão. Segundo a Nasa, o telescópio estava com suas operações suspensas desde 13 de junho, quando uma queda nos níveis de tensão do componente forçou o computador de carga útil a interromper suas operações. Depois de um período tenso que envolveu reinicializações variadas de sistema e até o uso de um segundo computador como sistema central, o Hubble, que foi lançado em abril de 1990, voltou a operar normalmente.

E não era sem tempo: a ESA e a Nasa reconhecem que o instrumento está em vias de se aposentar, sendo substituído pelo telescópio espacial James Webb, supostamente com 100 vezes mais capacidade que seu predecessor, e com lançamento previsto para 18 de dezembro de 2021.

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