Coreia do Sul amplia medidas para prevenir mortes de celebridades por suicídio

Arthur Henrique
Arthur Henrique, editado por Daniel Junqueira 04/10/2021 16:13, atualizada em 02/02/2022 15:02
shinee coreia do sul
Santuário em memória para a estrela do K-pop Kim Jong-hyun, que morreu em 2017. Ele era membro e principal voz do grupo SHINee. Imagem: Ville Hasala / Shutterstock.com

Em meio à ascensão global do entretenimento coreano (seja no meio de cinema, streaming ou mesmo em música com o k-pop), o governo da Coreia do Sul revelou uma ação para ajudar a prevenir a morte de celebridades por suicídio e o falecimento de fãs por imitação (copycat). O plano com as medidas foi anunciado na última sexta-feira (1º), poucos dias depois de uma reunião conjunta sobre a questão entre o Ministério da Educação e o de Saúde e Bem-Estar.

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Atualmente, a nação asiática está desfrutando do maior pico do sucesso global hallyu wave (“onda” ou “invasão coreana”, na tradução literal), referente a popularização da cultura local em níveis internacionais – muito por conta do K-pop, séries dramáticas (os famosos “doramas“), produções de filmes e etc. Porém, o setor é visto como tendo sucesso por meio de um sistema de alta pressão em cima dos chamados “idols“, no qual a taxa de falha é alta, e o sucesso vem com um intenso escrutínio online.

Nos últimos anos, várias celebridades coreanas e personalidades da mídia tiraram as próprias vidas, com motivos que podem incluir depressão, culpa, vergonha e cyberbullying. A morte por suicídio de Kim Jong-hyun, membro da boyband de k-pop SHINee, foi uma das mais divulgadas no fim de 2017. Apenas um ano depois, duas outras artistas do meio – Sulli, da girlband f(x), e Goo Hara, ex-integrante do grupo Kara, enviaram novas ondas de choque para a indústria do entretenimento ao falecerem da mesma maneira, aumentando a preocupações em relação à saúde mental das estrelas do k-pop.

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Kim Jonghyun, vocalista principal do grupo k-pop sul-coreano SHINee, morreu aos 27 anos após cometer suicídio. Imagem: SM Entertainment/Divulgação

O plano atualizado de prevenção contra suicídio visa “eliminar pontos cegos” na gestão da saúde mental de celebridades e artistas coreanos por agentes e gerentes. A medida aumenta o número de consultas psicológicas realizadas pela Agência Coreana de Conteúdo Criativo (KOCCA) de 900 em 2021 para 1.300 em 2022.

O serviço de saúde mental da Coreia do Sul também enviará profissionais para visitar mais sets de filmagem de séries e filmes locais, além de prover ajuda financeira tanto com despesas de tratamento quanto em gastos gerais a artistas com renda instável.

Todas as medidas ocorrem também com preocupações ao ‘Efeito Werther’, que é a subsequente imitação em massa de um suicídio após uma notícia amplamente divulgada da morte de alguém, normalmente por celebridades ou figuras conhecidas do público. O plano cita que os ministérios defendem um monitoramento mais próximo das reportagens da mídia em relação à tais veiculações, mas as ações em específico não foram detalhadas.

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Embora causa e efeito sejam difíceis de provar, muitos relatos de jovens que tiraram as próprias vidas na Coreia do Sul foram relacionados a eventos amplamente discutidos, como o movimento #MeToo ou o escândalo “Burning Sun” associado ao Seungri, membro de um dos grupos mais conhecidos do k-pop, BigBang. Especialistas acreditam que a morte por suicídio de celebridades pode fornecer não apenas uma referência para entusiastas obcecados (conhecidos como sasaengs no país), mas também uma espécie de “gatilho” para fãs tomarem medidas extremas.

Não só na Coreia do Sul, mas no mundo todo. Peça ajuda contra pensamentos suicidas!

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Procure ajuda no Centro de Valorização da Vida (https://www.cvv.org.br/) e nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) caso você esteja pensando em cometer suicídio.

Os mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil do Centro de Valorização da Vida funcionam 24 horas por dia, inclusive aos feriados, pelo telefone 188. O atendimento também funciona pessoalmente, por e-mail ou via chat.

Fonte: Variety

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Arthur Henrique
Arthur Henrique

Arthur Henrique é redator(a) no Olhar Digital

Daniel Junqueira
Daniel Junqueira

Daniel Junqueira é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Iniciou sua carreira cobrindo tecnologia em 2009.

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