A série de produções para o Amazon Prime Video da Blumhouse Productions, batizada de ‘Bem-vindo a Blumhouse’, encerra mais uma nova leva de longas antológicos “de terror” com ‘The Manor‘, dirigido e escrito por uma das diretoras da nova temporada de ‘American Horror Story’, Axelle Carolyn. E se você busca por um suspense na medida certa, que ao mesmo é agonizante e despretensioso, saiba que a produção cumpre os quesitos básicos de um thriller misterioso, ao mesmo tempo que destaca uma relação de amor diferente das que estamos acostumados em ver nas telonas e, por mais que seja light, ainda consegue oferecer mais medo comparado aos outros sete filmes.

Quando um leve derrame diminui a capacidade de cuidar de si mesma, Judith Albright (Barbara Hershey) muda-se para a Golden Sun Manor, uma mansão de repouso com excelente reputação. Mas, apesar dos melhores esforços da equipe e de uma amizade crescente com o colega idoso Roland (Davidson), ocorrências estranhas e visões de pesadelo convencem a protagonista de que uma presença sinistra está assombrando a gigante propriedade.

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Conforme os residentes começam a morrer misteriosamente, os alertas frenéticos de Judith são descartados como fantasias ou sintomas de demência. Mesmo o amoroso e devotado neto Josh (Nicholas Alexander) acredita que os seus medos são resultados do Parkinson, não de demônios. O objetivo então, já que não tem ninguém para acreditar na situação, é de escapar dos confins da mansão… ou ser vítima do mal que habita dentro dela.

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Barbara Hershey atua muito bem ao mesclar desespero e angústia. Imagem: Amazon Prime Video/Divulgação

Em apenas 81 minutos de filmes, Carolyn conseguiu enrolar na trama todos os elementos básicos de um bom suspense junto à ambientação de uma casa de repouso. A diretora, no entanto, fugiu de investir no aspecto visual para criar um clima agonizante e pouco utilizou o vasto local ou os idosos para proporcionar medo. Ao invés disso, ela apostou na dúvida e na dubiedade para cativar o público em tela.

Junto à Judith, o telespectador sabe que tem algo acontecendo e que há consequências, mas como a protagonista não consegue explicar, tanto porque não há provas concretas e também pelo fato de ser uma idosa diagnosticada com demência. A atuação sagaz de Hershey lembra muito o trabalho dela em ‘Cisne Negro’, de Darren Aronofsky, pois é desesperadora na medida certa para passar em tela o sentimento geral do público, algo tipo “o que está acontecendo aqui?”.

A performance da atriz vencedora do Emmy e do Globo de Ouro é ainda mais carismática com a relação perfeita que tem com Alexander, que interpreta o familiar mais próximo dela. Aliás, o fator e as boas atuações de ambos cresces tanto durante o enredo que muitas vezes o tom de suspense impregnado diminui para destacar o amor entre avó e neto – que, no decorrer de ‘The Manor’, se mostra como “o verdadeiro protagonista”.

Cenas de conversa entre o elenco mais idoso geram debate simples, porém gostoso sobre o medo de envelhecer. Imagem: Amazon Prime Video/Divulgação

As aparições de Jill Larson e Bruce Davison como amigos da personagem principal na casa de repouso é essencial para a trama, porém é tímida e não chama muito atenção. Contudo, é interessante demais notar a impecável performance dos veteranos em determinadas cenas até longas, entre 2 e 3 minutos, que consiste basicamente em uma conversa entre os idosos sentados ao redor de uma mesa sobre o medo de envelhecer.

O jogo de câmeras e o trabalho da edição nas sequências em questão é simples, com foco apenas em plano americano e cortes secos, mas valoriza o diálogo sobre os prós e contras em envelhecer e a conversa entre os atores, dando aquele sentimento de “coração quentinho” para quem está assistindo, sabe?

Aliás, vale destacar o quão todos os elementos utilizados por Carolyn sem suspense complementam, pasmem, o suspense. É um jogo de “vai e volta” muito bem estruturado em um filme curto, sabe? Ao mesmo tempo em que a produção de ‘The Manor’ coloca e remove o público da ambientação de horror e maligna diversas vezes, quem assiste aos filmes responde com dúvida – não sabendo se deve tentar “montar um quebra-cabeça” para entender o que está acontecendo ou se deve deixar para lá por ser uma possível crise de demência.

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Pouco terror, mais suspense: ‘The Manor’ não quer entregar história de terror sensacional, mas cativa por premissa e bom mistério. Imagem: Amazon Prime Video/Divulgação

Em relação ao terror em si, não espere algo visualmente fantástico e amedrontador. Como algumas outras obras da série ‘Bem-Vindo a Blumhouse’, ‘The Manor’ flerta um pouco com o trash, mas nada que irá atrapalhar ou prejudicar o filme. As entidades do mal não passam medo algum em nenhum momento, porém é até algo positivo no saldo geral, visto que toda a questão espírita do longa fica em segundo plano comparada aos aspectos positivos do conjunto.

A produção, não obstante, quase “tropeça” no início do terceiro ato – e justamente pela questão maligna e espírita. Só que Carolyn é esperta o suficiente para utilizar do quesito sobrenatural somente para fins de explicação e volta prontamente ao foco do filme proposto desde o primeiro momento: o amor entre uma avó e o neto.

Aliás, é bom destacar a representação desse tipo de relacionamento familiar em tela, ainda mais em um filme de suspense. E o melhor de tudo é que a diretora insiste em glorificar o vigor da terceira idade e não trata o jovem de 17 anos como um “herói e salvador de alguém debilitado”. Inclusive, há muitas cenas cômicas onde a avó fala diversos palavrões, porém impede o neto de fazer o mesmo. Entre o fofo e o perspicaz, o fator ajuda demais o público a se conectar com a história e a se surpreender com as caracterizações – algo mais Clint Eastwood em ‘Cry Macho’ e menos Anthony Hopkins em ‘Meu Pai’.

‘The Manor’, por fim, é uma história de amor sobre uma avó e o neto. Imagem: Amazon Prime Video/Reprodução

Em resumo, a diretora Axelle Carolyn traz um ritmo agradavelmente provocante em ‘The Manor’, que sabe que não é uma produção espetacular, todavia faz o que precisa e encerra de forma satisfatória, e isso é o suficiente. O longa também destaca performances de atores veteranos em ambientação mais realista e emocional, embora o tom sobrenatural exista apenas para fomentar o suspense, e apenas isso.

É uma pena que, apesar dos aspectos positivos, o flerte com o trash possa não agradar alguns, ainda mais por conta da super explicação ao estilo ‘Scooby Doo”. Mesmo assim, o longa vale a pena demais por ser incomum e centralizar a trama no relacionamento entre uma avó e o seu neto. Inovador ou não, ainda é capaz de “assusta” muito mais do que ‘Black as Night‘ e ‘Bingo Hell‘.

Quer assistir ao filme? Saiba, então, que ‘The Manor’ estreia nesta sexta-feira (8), exclusivamente no Amazon Prime Video. O elenco da produção da Blumhouse conta com Barbara Hershey, Bruce Davison, Nicholas Alexander, Jill Larsen, Fran Bennett e Katie Amanda Keane. Confira abaixo sinopse e trailer oficiais:

“Quando um leve derrame diminui sua capacidade de cuidar de si mesma, Judith Albright (Hershey) muda-se para a Golden Sun Manor, uma casa de repouso com excelente reputação. Mas, apesar dos melhores esforços da equipe e de uma amizade crescente com o colega idoso Roland (Davidson), ocorrências estranhas e visões de pesadelo convencem Judith de que uma presença sinistra está assombrando a enorme propriedade. Conforme os residentes começam a morrer misteriosamente, os alertas frenéticos de Judith são descartados como fantasia. Até mesmo seu devotado neto Josh (Alexander) acha que seus medos são resultado de demência, não de demônios. Sem ninguém para acreditar em sua visão da situação, Judith deve escapar dos confins da mansão ou ser vítima do mal que habita dentro dela.”

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