O aquecimento global segue um curso de aumento, e simulações conduzidas pela ONG Climate Central mostram como o aumento do nível do mar vai colocar debaixo d’água grandes centros urbanos que, hoje, são bastante populosos. Isto é, se a humanidade não tomar ações drásticas com o objetivo de minimizar esses riscos.

Pelas imagens, diversos pontos mundialmente conhecidos deixariam de existir, varridos completamente pelo mar ou, no mínimo ficariam submersos e potencialmente inacessíveis. Alguns exemplos mostram o píer de Santa Mônica, na Califórnia, e o Centro Espacial de Houston, no Texas, completamente submersos.

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Isso porque, dentro do curso atual, a estimativa da ONG é a de que a temperatura média da Terra possa aumentar 3 ºC em relação a hoje até 2100. Neste panorama – o pior cenário possível uma vez que o aquecimento global prosseguiria sem impedimento -, cerca de 50 grandes metrópoles (a maioria, na Ásia) sumiriam do mapa, efetivamente tirando o acesso a pelo menos 10% das terras necessárias para as pessoas viverem.

Naturalmente, a simulações consideraram o aumento do nível do mar e de temperatura por meio de constantes emissões de carbono, um dos gases que contribuem para o aumento do efeito estufa e do aquecimento global.

Na simulação, até mesmo o Pentágono, símbolo do militarismo dos Estados Unidos, estaria sob risco de inundação e afundamento.

“As decisões que tomarmos em Glasgow e as ações que tomarmos nessa década terão ramificações nas próximas centenas ou milhares de anos”, disse Benjamin Strauss, CEO e chefe de pesquisa da Climate Central, ao jornal The Guardian, em referência ao encontro de vários líderes mundiais na conferência Cop26 de discussão climática.

“Esse grupo será lembrado pelo que eles escolherem: eles decidirão por um futuro promissor, com um clima onde possamos viver, ou vão escolher afogar as regiões costeiras do mundo?” – disse Strauss.

De acordo com a ONG, as simulações consideraram a evolução ambiental da Terra em um período de 200 a 2 mil anos, analisando a vulnerabilidade de comunidades que vivem em regiões litorâneas. Pelos dados divulgados, apenas a Austrália e a Antártida escapariam relativamente sem danos, porém não ilesas. Nações menores e regiões insulares – ou seja, partes de arquipélagos e ilhas exclusivamente singulares – podem ser perdidas por completo.

“Nós já vimos um aumento de aproximadamente 30 centímetros [cm] no nível do mar ao longo do último século”, disse Strauss. “Ao olharmos para frente, podemos ver esse aumento chegar a um metro [m] no melhor dos cenários, e 10 metros no pior”.

Vale lembrar que a submersão de cidades inteiras não necessariamente significa a segurança daquelas que sobreviverem – como as regiões mais centrais e de planalto. Não só as simulações mostram isso, mas vários estudos comprovam que o aumento do nível do mar também aumentará a frequência de catástrofes ambientais – pense no Furacão Ida, que varreu Nova Orleans, nos EUA, em agosto deste ano. Aquilo pode se repetir muito mais vezes por ano – além de incluir lugares que, hoje, não enfrentam esse tipo de problema.

“É mais fácil para as pessoas pensarem no aumento do nível do mar como um problema que você pode resolver, ou que há um número exato desse aumento para o qual nós podemos nos planejar”, disse Strauss. “Mas a verdade é que nós trocamos um mundo onde o mar era estável, por outro onde ele continuamente ‘marcha’ para cima”.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estará presente em conferência ambiental apresentada na Inglaterra, com os olhos do mundo voltados para ele e suas políticas ambientais
Visto indo na contramão de vários outros países, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estará presente em conferência ambiental apresentada na Inglaterra, com os olhos do mundo voltados para ele e suas políticas ambientais (Imagem: Salty View/Shutterstock)

As simulações, o nível do mar e a Cop26

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido) está confirmado para participar da Cop26, junto de nomes como Joe Biden (presidente dos EUA), Boris Johnson (primeiro ministro do Reino Unido), Narendra Modi (primeiro ministro da Índia), Xi Jinping (presidente da China), Scott Morrison (primeiro ministro da Austrália), a Rainha Elizabeth II da Inglaterra e a ativista sueca Greta Thunberg. Embora ele próprio não vá comparecer à ocasião, o Papa Francisco pediu aos participantes e tomadores de decisão para elaborarem respostas eficazes ao que chamou de “crise ecológica planetária sem precedentes.

Vale lembrar que um estudo divulgado recentemente pela revista Nature revelou que, no seu atual momento, a Amazônia está emitindo mais gás carbônico do que absorve. De acordo com especialistas, isso pode significar que estamos nos aproximando do chamado “ponto de não retorno”, um momento de virada de chave, onde a maior floresta tropical do planeta deixa de ser um atenuador e passa a ser um agente causador de mudanças climáticas.

Noutro levantamento, feito pela Rede Simex, formada pelas organizações ambientais Imazon, Idesam, Imaflora e ICV, ficou comprovado que, entre julho de 2020 e julho de 2021, a Amazônia perdeu cerca de 4,64 mil km² de madeira. A área desmatada é equivalente a quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo (SP), que é a maior capital do Brasil.

Em outras palavras, a presença do mandatário brasileiro – reconhecido como retrógrado na política ambiental e recentemente denunciado por grupos ativistas para uma investigação em corte internacional (segundo o jornal alemão Deutsche Welle) será objeto de forte atenção dos participantes da conferência.

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