A China segue investindo com força em seu programa especial, promovendo ontem (14) o lançamento de 11 satélites a bordo de um foguete Longa Marcha 2. Entre os satélites, estava um mini telescópio de observação solar intitulado “CHASE” (sigla em inglês para “Explorador Solar Chinês Alfa-Hidrogênio”).

O lançamento foi conduzido às 18h51 (6h51 de hoje, 15, no Ocidente), levando o CHASE para sua posição a 517 quilômetros (km) acima da superfície da Terra. O satélite faz parte de um projeto bem maior de observação do Sol, programado para ser lançado pelo governo chinês em algum momento no início de 2022.

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O CHASE, que a China lançou ao espaço junto de outros 10 satélites em outubro
O satélite CHASE, levado ao espaço pela China em outubro de 2021 (Imagem: CNSA/Divulgação)

Quando completo, o projeto da China do qual faz parte o telescópio deve ser o primeiro devidamente equipado para leituras de espectroscopia solar em hidrogênio-alfa (“H-Alfa”). Esse nome é dado à faixa de frequência altamente avermelhada, com comprimento de onda 656,28 nanômetros. Para fins de comparação, a luz visível está entre 400 e 700 nanômetros.

Basicamente, a faixa H-Alfa nos permitirá enxergar estruturas e processos dinâmicos que compõem o Sol. Com ela, podemos, por exemplo, enxergar fenômenos de ejeção de ondas solares – que tendem a ser precursores de ejeções de massa coronal, eventos que trazem forte impacto a comunicações na Terra.

O mais interessante é que o CHASE trabalhará em colaboração aberta com outros satélites que promovem outras observações sobre o nosso “astro-rei”, incluindo nomes como  ASO-S, STEREO, o Observatório das Dinâmicas Solares, IRIS, a Sonda Solar Parker e o orbitador solar, para citar alguns. Essa parceria permitirá o compartilhamento de informações da mesma observação em diversos panoramas, traçando uma dinâmica sobre o Sol mais precisa e detalhada.

Isso é especialmente importante pois o Sol vive em ciclos de 11 anos entre atividade solar mínima e máxima, ajustando a frequência com a qual acontecem eventos de importância aqui na Terra. Por exemplo: em 1859, uma ejeção de massa coronal particularmente poderosa derrubou várias redes de telégrafos e gerou até mesmo a visualização de luzes de aurora polar em baixas latitudes – algo que dificilmente aconteceria em condições normais. A ocasião ficou conhecida como “Episódio Carrington”.

Se ocorresse hoje, uma ejeção do tipo causaria imenso impacto na rede mundial de cabeamento de fibra óptica, afetando o acesso à internet em vários países. Isso porque, embora os cabos submarinos em si sejam protegidos contra esse tipo de evento, seus repetidores de sinal trazem componentes eletrônicos vulneráveis a uma ejeção desta ordem.

Segundo a contagem de ciclos solares, os cientistas esperam uma máxima de atividade em 2025.

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