Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV Ibre) indica que somente um em cada cinco trabalhadores tem condição mínima para trabalhar em regime home office. 

O levantamento também aponta outro dado negativo: o potencial de trabalho remoto no Brasil é de apenas 17,8%. O que equivale a menos da metade dos 37% dos EUA, por exemplo.

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Uma infraestrutura mínima, vale citar, inclui: um computador, acesso à internet e energia elétrica de qualidade. Se mais brasileiros preenchessem esses três quesitos, especialistas apontam que a estatística poderia saltar para 25,5% no Brasil.

Considerando estudos semelhantes de outros países, esse resultado colocaria o Brasil no mesmo patamar da Espanha (25%), por exemplo. Em comparação, o trabalho feito de casa responde por 29% na Alemanha e 28% na França.

Considerando que temos 89 milhões de trabalhadores ocupados no país até julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os que se encaixam nas condições de trabalho em home office seriam cerca de 15,8 milhões.

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Mulheres possuem mais chance de adotar o trabalho remoto. Imagem: SFIO CRACHO/Shutterstock

O percentual também varia de acordo com outros parâmetros, como o grau de desenvolvimento de uma região do país. No Sudeste, por exemplo, o potencial de trabalho remoto é de 20,8%, enquanto no Sul esse número cai para 19,8%.

Já no Norte, em regiões de menor concentração de renda, a estatística cai para menos da metade: 10,3%. A mesma tendência acontece no Nordeste, com 13%.

Dentre os estados, o que possui o maior potencial de adoção do home office é Distrito Federal, com 29,2%. Rio de Janeiro e São Paulo aparecem empatados com 22,6%.

O estudo também revela que as mulheres possuem maior chance de adotar o trabalho remoto que os homens. Em números, são 22,3% contra 14,2%, respectivamente.

Por fim, as oportunidades de teletrabalho também aumentam de acordo com escolaridade: 52,9% para quem possui ensino superior completo e apenas 1,5% para trabalhadores com ensino fundamental incompleto.

Avançar o home office pode aumentar a desigualdade

Os pesquisadores alertam que o avanço do trabalho remoto pode, ainda, aumentar o risco de ampliar as desigualdades no Brasil, já que, considerando os achados vistos até aqui, o home office só é possível para trabalhadores de maior escolaridade e renda.

Para contornar o problema e incorporar uma fatia maior de trabalhadores nesta modalidade de trabalho, os estudiosos reforçam a “necessidade de capacitação da mão de obra” e também de implementar melhorias na infraestrutura doméstica nos estados mais pobres.

Via: G1

Créditos da imagem principal: Nata Bene/Shutterstock

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