Pouco mais de quatro meses depois de apresentar falhas que o deixaram offline por mais de 30 dias, o telescópio espacial Hubble voltou a entrar em modo de segurança nesta segunda-feira (25), segundo publicação de sua conta oficial no Twitter.
Hubble’s science instruments went into safe mode on Monday after experiencing synchronization issues with internal spacecraft communications. Science observations have been temporarily suspended while the team investigates the issue. The instruments remain in good health.
De acordo com o tweet, os instrumentos científicos do Hubble tiveram problemas de sincronização com as comunicações internas da espaçonave. “As observações científicas foram temporariamente suspensas enquanto a equipe investiga o problema. Os instrumentos permanecem com boa saúde”.
Relembre o problema que paralisou Hubble por mais de um mês
Em 13 junho, um dos computadores do telescópio espacial parou de funcionar, após 31 anos de atividade. O payload computer (computador de carga útil), que controla e coordena os instrumentos científicos a bordo do observatório, travou, o que levou o sistema a entrar em estado de hibernação.
Telescópio Hubble entrou novamente em modo de segurança, quatro meses após falha que o paralisou por 33 dias. Imagem: AleksandrMorrisovich – Shutterstock
Inicialmente acreditava-se que o problema poderia estar em um módulo de memória. Após mais análises, a Nasa chegou à conclusão de que o possível culpado seria um conjunto de módulos chamado de Unidade de Comando / Formatador de Dados Científicos (CU / SDF).
Enquanto o primeiro envia comandos e dados para destinos específicos, incluindo os instrumentos científicos, o outro formata os dados coletados pelos instrumentos científicos para a transmissão para a Terra.
Ao longo de toda sua vida útil, o Hubble recebeu a visita de cinco missões de manutenção, durante as quais astronautas repararam e atualizaram equipamentos. Isso inclui uma missão logo no início de suas operações, que corrigiu a “miopia” que fazia com que ele fosse incapaz de focar galáxias distantes, justamente o objetivo para o qual foi criado.
Uma nova missão de manutenção in loco, no entanto, não seria mais possível: isso porque a Nasa não tem mais nenhum veículo capaz de se encontrar com o telescópio, como faziam os ônibus espaciais, que eram equipados com um braço robótico usado para capturar satélites em órbita. O último deles, o Atlantis, foi aposentado em 2011.
As cápsulas Crew Dragon, da SpaceX, foram feitas apenas para transporte de carga e passageiros. Já a Estação Espacial Internacional (ISS) tem um braço robótico, mas está em uma órbita completamente diferente do Hubble, e é impossível levar um até o outro.
Portanto, o conserto precisou ser feito à distância, colocando online a Unidade de Controle de Energia (PCU) de backup e também a Unidade de Comando / Formatador de Dados Científicos (CU/SDF) de backup do outro lado da unidade de Instrumento Científico e de Comando e Manuseio de Dados (SI C&DH). A PCU distribui energia para os componentes SI C&DH e a CU/SDF envia e formata comandos e dados.
Além disso, outras peças de hardware a bordo do Hubble foram trocadas para suas interfaces alternativas para se conectar ao lado de backup do SI C&DH. “Uma vez que essas etapas foram concluídas, o computador de carga útil de backup nesta mesma unidade foi ligado e carregado com o software de voo e colocado no modo de operação normal”, revelou a Nasa em nota emitida na época.
Depois disso, foi feito um processo de recuperação dos instrumentos científicos fora de sua configuração de modo de segurança, por meio do qual a equipe executou vários procedimentos para garantir que eles estivessem em temperaturas estáveis. Em 16 de julho, o Hubble retomou as operações científicas normais.
Embora saibamos que uma hora todo mundo cansa e precisa se aposentar, vamos torcer para que o “velhinho” tenha pronto restabelecimento e ainda nos brinde com muitas lindas imagens do cosmos.
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Jornalista formada pela Unitau (Taubaté-SP), com Especialização em Gramática. Já foi assessora parlamentar, agente de licitações e freelancer da revista Veja e do antigo site OiLondres, na Inglaterra.