A Volkswagen anunciou um investimento de R$ 7 bilhões na América Latina entre 2022 e 2026 como fruto da implementação de sua estratégia Accelerate, com foco em lucratividade sustentável. O valor terá como principal destino o desenvolvimento de modelos de negócios digitais e a expansão da pesquisa sobre biocombustíveis, visando a transformação da empresa em provedora de mobilidade sustentável orientada por software.

Pelo menos no primeiro ano do investimento, o Gol e seus derivados (o sedan Voyage e a picape compacta Saveiro) continuarão “respirando”. Porém, apesar da sobrevida – graças às boas vendas – o hatch e seus dois irmãos, todos produzidos em cima da plataforma PQ24, podem estar mesmo com os dias contados.

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Motor do Gol já estará morto no ano que vem

Além do foco sustentável do investimento feito pela Volkswagen, as mudanças de regras de emissões e ruídos trazidas pelo Proconve L7 e das regras de consumo, do Rota 2030, podem ser cruciais para que os modelos saiam de linha, assim como saíram Fox e Up!. O próprio motor 1.6 MSI EA111 de 8 válvulas, destinado à família Gol até 104 cv, já deverá ser descontinuado ao final de 2021, em virtude do Proconve L7.

O Proconve L7 é a sétima fase do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve), criado em 1986 pelo Governo Federal, por meio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Ele trabalha em cima dos veículos automotores leves novos de uso rodoviário.

Fora o motor 1.6 MSI EA111 (também usado na Kombi, no Golf e no Audi), a família Gol também está equipada com outros dois motores, sendo um deles o motor 1.0 de três cilindros para as versões de entrada. Os modelos de topo de linha ou com câmbio automático, com até 120 cv, contam com o 1.6 MSI EA211, de 16 válvulas.

vários veículos Gol
Veículos Gol na fábrica da Volkswagen em Taubaté – Imagem: Divulgação/Volkswagen

O Gol é hoje o oitavo automóvel mais comercializado no Brasil, sendo o mais bem colocado da Volkswagen, custando de R$ 67,8 mil a R$ 83,4 mil, com a maior parte das vendas direcionada a frotistas e locadoras. O hatch está no Brasil há 41 anos, já foi líder de vendas por quase 30 e é o automóvel mais vendido da história no país.

Uma primeira tentativa de encerrar a produção do Gol por aqui ocorreu por volta dos anos 2000, quando chegou o Polo. A segunda “quase morte do Gol” aconteceu em 2003, com o lançamento do Fox. Até o finado Up! apareceu em 2014 para “substituir” o Gol. Entretanto, nada tirou o clássico da Volkswagen de circulação.

Tentamos um contato com a assessoria de imprensa da Volkswagen para saber mais a respeito do futuro do Gol após 2022 e para confirmar se o motor 1.6 MSI EA111 realmente está sendo encerrado. Até o fechamento desta matéria, não obtivemos resposta.

Polo Track inicia novos compactos de entrada da Volkswagen

Uma nova família de carros compactos estará no centro do segmento de entrada a ser desenvolvido pela montadora a partir de 2023. O primeiro modelo é o Polo Track, baseado na plataforma MQB.

Na linha dos planos sustentáveis da Volkswagen, o uso da plataforma MQB também resulta em economia nos custos de desenvolvimento. O Polo Track será produzido na fábrica de Taubaté, no Brasil, onde hoje são feitos o hatch Gol e o sedan Voyage.

O Polo Track estará no mercado em 2023,  baseado na plataforma MQB
O Polo Track estará no mercado em 2023, baseado na plataforma MQB – Imagem: Divulgação/Volkswagen

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Investimento bilionário da Volkswagen

A Volkswagen espera registrar um resultado positivo na América Latina em 2021. Com o investimento bilionário da empresa no mercado local, além de mais projetos de veículos, a digitalização e a descarbonização devem receber um impulso adicional por aqui.

Entre os planos da VW, há um centro de pesquisa de biocombustíveis para desenvolvimento de tecnologia complementar à sua estratégia global de eletrificação. A Volkswagen também está acelerando o ritmo de sua transformação em uma fornecedora de mobilidade sustentável orientada por software.

A nova geração de sistema de informação e entretenimento (o VW Play) deverá permitir aos motoristas se manterem conectados, expandindo a conectividade para fora de seus veículos. Ao mesmo tempo, pretende-se que novos itens e serviços sejam acrescentados. Tanto a frota como a empresa devem se tornar neutras em carbono até 2050.

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