Após o fim do aguardado leilão do 5G na última sexta-feira (5), que prevê o início do avanço da tecnologia de rede móvel mais recente para julho de 2022, uma estatística ainda preocupa: 10% da população conectada à internet no Brasil continua limitada ao 3G.

A informação veio de um levantamento da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) realizado em dezembro de 2020, que também revela que a tecnologia limitada a 2 megabits por segundo ainda recebe mais de 33 milhões de acessos.

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Desse montante, cerca de 20,6 milhões de acessos correspondem ao usuário final via celular ou smartphone. O restante são de maquininhas de cartão de crédito, por exemplo.

A Anatel lista alguns motivos para o achado, dentre eles estão: a ausência de cobertura do 4G em bairros e áreas mais afastadas e ainda em 220 municípios. Além daqueles que ainda utilizam aparelhos incompatíveis com o 4G ou não trocaram o seu chip 3G por um mais moderno.

Além do avanço do 5G, uma das metas da agência é resolver esse problema, já que, na prática, essa fatia da população ainda não consegue consumir conteúdo via streaming ou jogar partidas online pelo celular, por exemplo.

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Sobre o tema, Eduardo Jacomassi, gerente de universalização da Anatel, declarou:

“O 4G no Brasil avançou rapidamente. Você percebe que, a partir de 2015, a quantidade de acesso de 3G cai bastante. O que tem sido lento é a implementação na área rural. O problema é que ou os municípios são muito pequenos ou muito distantes, o que encarece a instalação. Como agência reguladora, temos que fazer com que chegue para todos”, afirmou.

Esse objetivo citado por Jacomassi, inclusive, é uma das obrigações citadas no edital do leilão do 5G, que prevê que o 4G deve alcançar 100% dos municípios brasileiros até 2024.

Para entender as diferenças entre as gerações das tecnologias de rede móvel clique aqui.

Já Marcos Ferrari, presidente da Conexis Brasil Digital — que indicou recentemente que apenas sete capitais estão prontas para o 5G — diz que as regras municipais ainda são um problema para essa expansão do 4G.

“Tem muitos municípios com uma política muito ruim para infraestrutura de telecomunicações”, disse. “As leis que permitem as instalações são municipais e 90% delas são dificultadoras porque a tecnologia muda muito rápido e as regras demoram a mudar. Nós temos leis com 25 anos de atraso”.

Ferrari também destacou outro agravante para o resultado do levantamento: os preços cada vez mais altos dos celulares, o que faz com que muitos permaneçam com aparelhos mais antigos. “O valor do smartphone é proibitivo para algumas camadas da população, com ticket médio de R$ 1.600,00, que é maior que um salário mínimo”, acrescenta o executivo.

Via: Uol

Créditos da imagem principal: rafastockbr/Shutterstock

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