A cultura ocupa um lugar no contexto da pandemia da Covid-19 que é um campo de estudo em constante evolução. Assim, cerca de 70 mil artigos de pesquisa relacionados ao coronavírus publicados no primeiro ano da pandemia abordou as suas características biológicas, transmissão e as melhores maneiras de combate. 

Por outro lado, um novo artigo na revista Frontiers in Psychology examinou como a cultura moldou e como as sociedades responderam a ela. O estudo utiliza uma abordagem de psicologia clínica-cultural para analisar a pandemia e assim, explorar como ela pode aprofundar nossa compreensão de outras doenças infecciosas.

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Em uma revisão da literatura que envolve artigos publicados até o final de 2020, os autores observaram que diferenças significativas nas taxas de mortalidade e transmissão, mandatos do governo e sua conformidade e até mesmo a politização de crenças sobre o vírus existiam entre grupos culturais. 

Imagem: Monstar Studio – Shutterstock

Os pesquisadores elaboraram um folheto informativo escrito em que estruturaram a abordagem a partir de três níveis diferentes: diferenças entre as sociedades, como valores culturais como individualismo ou responsabilidade coletiva; relações intergrupais dentro da sociedade, que observam como certos grupos em uma sociedade comum foram impactados de forma diferente, como grupos de imigrantes ou minorias; e diferenças individuais moldadas pelo contexto cultural, ou seja, pelas maneiras que as normas sociais conduzem as crenças.

“Incorporamos literatura de muitos outros países, porque grande parte da literatura que aborda questões como teorias da conspiração, por exemplo, foi publicada no contexto americano”, disse a autora do artigo, Rebeca Bayeh.

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De acordo com a equipe, o impacto da Covid-19 em diferentes grupos é dependente do contexto cultural. Ao estudar grupos em nível inter-social, dentro da sociedade e individual, eles observam como a cultura interage com fatores biológicos para promover ou impedir a transmissão do vírus.

Por exemplo, no nível da sociedade, idade e gênero tinham relações claras com a Covid-19, mas poder, opressão, privilégio e dinâmica de polarização também estavam interligados. Já no nível individual, foi examinado aspectos como traços de personalidade, saúde mental, atitudes e crenças e o grau em que uma pessoa acredita em teorias da conspiração podem ser preditores do comportamento.

Os pesquisadores concluíram que esse tipo de revisão enfatiza a necessidade de empatia ao analisar grupos ou indivíduos específicos. Sendo assim, compreender a perspectiva dos outros ajudará a transmitir o ponto de vista da pessoa na maioria dos contextos, incluindo a saúde pública.

Fonte: Medical Xpress

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