Um dos principais efeitos do aquecimento global é a frequência e intensidade com que ocorrem eventos de calor extremo. Segundo um estudo publicado no Canadian Journal of Cardiology, esse fenômeno está associado a um maior risco de incidentes cardiovasculares adversos, especialmente para adultos com doenças pré-existentes. 

Na pesquisa, os especialistas investigam como o calor extremo afeta a saúde cardiovascular, por que os profissionais de saúde devem se preocupar e quais recomendações podem fazer para minimizar as consequências.

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Ondas de calor extremo são prejudiciais à saúde humana, em especial com relação a doenças cardiovasculares. Imagem: Monika Wisniewska – Shutterstock

Segundo os cientistas, o calor extremo representa grande ameaça à saúde humana, aumentando o risco de morbidade e mortalidade. Somente na União Europeia, 70 mil mortes foram atribuídas às ondas de calor em 2003. Em 2010, 55 mil pessoas morreram pelo mesmo motivo na Rússia. 

Entre os fatores de risco para hospitalização relacionada ao calor estão idade, doenças crônicas, isolamento social e certos medicamentos. 

De acordo com o estudo, as doenças cardiovasculares estão entre as doenças crônicas frequentemente identificadas como um fator determinante para hospitalizações e mortes relacionadas ao calor.

“O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) relatou recentemente que as temperaturas globais estão subindo a uma taxa maior do que o projetado anteriormente, e que o número de dias de calor extremo aumentará significativamente na maioria das regiões terrestres”, explicou o autor sênior da pesquisa, Daniel Gagnon, médico do Instituto do Coração de Montreal e Ph.D. pela Escola de Cinesiologia e Ciências do Exercício da Universidade de Montreal, no Canadá. 

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Para embasar a pesquisa, os autores procederam com uma revisão abrangente de estudos epidemiológicos baseados em evidências e observaram uma associação consistente entre calor extremo e um maior risco de resultados cardiovasculares adversos. 

Além disso, eles examinaram revisões sistemáticas e meta-análises que consideraram o efeito do calor extremo em resultados cardiovasculares adversos e relataram que as ondas de calor aumentam significativamente o risco de morte por doença cardíaca isquêmica, derrame e insuficiência cardíaca.

Exposição ao calor extremo pode aumentar pressão sobre o coração

“Embora os efeitos do calor extremo nos eventos cardiovasculares adversos tenham sido explicados no contexto da insolação, muitos eventos ocorrem sem a insolação e os mecanismos desses eventos nesses casos permanecem obscuros”, observou Gagnon. “É provável que a exposição ao calor aumente as necessidades de oxigênio do miocárdio”.

Exposição a calor extremo aumenta a pressão sobre o coração de quem tem doenças cardiovasculares. Imagem: Xurzon – Istockphoto

De acordo com o site Medical Xpress, os autores consideram a possibilidade de que a exposição ao calor coloque muita pressão sobre o coração para indivíduos com doenças cardíacas, aumentando o risco de formação de coágulos dentro dos vasos sanguíneos que irrigam o coração.

Eles propõem que estratégias preventivas para minimizar o risco cardiovascular durante eventos extremos de calor devem ter como objetivo reduzir a extensão da hipertermia e da desidratação

No Canadá, os sistemas de advertência de calor e saúde atuam como uma primeira linha de defesa, aumentando a conscientização sobre os próximos eventos de calor e recomendando estratégias para minimizar possíveis complicações. 

São emitidos, por exemplo, alertas de alta temperatura entre 18 e 24 horas antes de um evento de calor em Ontário e Québec, quando os termômetros marcam acima de 30ºC por um mínimo de dois dias. 

Esses alertas incluem a identificação de sinais de estresse por calor, garantindo que as pessoas bebam quantidades adequadas de fluido frio ou procurando um ambiente bem refrigerado.

Pesquisas recentes indicam o uso de ventiladores elétricos, molhar a pele e imergir os pés em água da torneira como alternativas simples ao ar-condicionado para manter a temperatura ambiente durante eventos de calor extremo . “O ar-condicionado é a estratégia mais eficaz que pode ser recomendada, uma vez que remove efetivamente o estímulo de calor e minimiza o risco de resultados cardiovasculares adversos”, disse Gagnon. “No entanto, menos de um terço das residências globais possui condicionador de ar”.

Para os autores, mais pesquisas são necessárias para entender melhor as razões pelas quais o calor extremo aumenta o risco de resultados cardiovasculares adversos. Além disso, estudos mais aprofundados poderão: explicar o efeito da medicação cardiovascular nas respostas fisiológicas do corpo humano durante a exposição ao calor; traçar estratégias de resfriamento ideais a serem recomendadas a indivíduos com doenças cardíacas durante ondas de calor; e estabelecer limites ambientais seguros para exercícios ao ar livre em indivíduos com doenças cardíacas.

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