Um novo estudo, produzido por cientistas da Universidade de Califórnia-Berkeley, mostrou que houve um aumento na absorção de gás carbônico (CO2) da atmosfera por parte de plantas e florestas, que estão, efetivamente, desacelerando o aquecimento global.

Entretanto, esse aumento de absorção ainda não é suficiente para resolver o problema a curto, médio ou longo prazo, tendo em vista que o homem ainda está produzindo uma quantidade maior do gás em relação ao que a vida vegetal da Terra consegue compensar.

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Imagem mostra uma chaminé industrial soltando fumaça, simbolizando que, apesar das florestas estarem desacelerando o aquecimento global, nossas emissões de CO2 ainda são bem perigosas
Apesar da fotossíntese ter ficado melhor adaptada para a absorção do gás, nossas emissões de gás carbônico ainda são maiores do que a nossa capacidade de nos livrar dele, ampliando o aquecimento global (Imagem: Lane V. Erickson/Shutterstock)

De acordo com o estudo, as florestas do mundo ampliaram seu processo de fotossíntese em 12%, aumentando o volume de gás carbônico absorvido da atmosfera da Terra entre 1982 e 2020. As plantas absorvem o gás e o transformam em alimento. Entretanto, a humanidade ampliou a geração do mesmo gás em 17% no mesmo período – ou 420 partes por milhão (ppm).

Em outras palavras: as plantas se adaptaram para “limpar” mais gás da atmosfera, e nós respondemos produzindo ainda mais gás para poluí-la.

“Esse é um aumento bem grande do processo de fotossíntese, mas não está nem perto de remover a quantidade de dióxido de carbono [outro nome para “gás carbônico”] que nós estamos colocando lá em cima”, disse Trevor Keenan, cientista de Berkeley e autor primário do estudo. “Isso não está parando o aquecimento global sob nenhuma percepção, mas está deixando-o mais lento”.

O time de pesquisadores usou uma metodologia que combina machine learning, modelos computadorizados de biosfera simulada e distribuição de sensores para medir a capacidade de fotossíntese e dispersão de CO2. Como ele fica por muito mais tempo na atmosfera do que outros gases do efeito estufa, o gás carbônico costuma ser o foco de todos os esforços de redução de emissões em diversos países e pela ONU, que recentemente planejou novos acordos climáticos no evento COP26.

Usando informações de bases de dados públicas – como a AmeriFlux -, a equipe internacional construiu 500 mini torres meteorológicas, instalando-as em diversas florestas ao redor do mundo, no intuito de medir a troca de gases entre plantas, atmosfera e solo. Além disso, imagens de satélites ajudaram a complementar a coleta de dados para o estudo.

Para Keenan, o método e os resultados obtidos ressaltam duas coisas: a primeira é a necessidade extrema de proteger ecossistemas variados a fim de maximizar a capacidade de absorção do CO2 da atmosfera. Entretanto, ele próprio reconhece que, independente da vegetação que temos, ela não será suficiente para conter o avanço do aquecimento global a longo prazo.

Nisso, entra a segunda conclusão: precisamos impor maior controle sobre as emissões de gases do efeito estufa, a fim de aliviar o serviço prestado a nós pela natureza: “não sabemos o que o futuro nos trará em relação a como as plantas vão responder ao aumento do gás carbônico”, ele disse. “Esperamos que isso vá saturar em algum momento, mas não sabemos quando, nem quanto. Quando isso acontecer, a nossa capacidade de absorção será bem mais baixa para compensar nossas emissões”.

O estudo, que contou com apoio da NASA e do Escritório de Ciência do Departamento de Energia (DOE) dos EUA, foi publicado na revista Nature.

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