Um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) isolaram a variante Ômicron da Covid-19. O procedimento vai permitir que a cepa seja analisada com mais detalhes e, principalmente, que a eficácia das vacinas seja testada contra a mutação.

“É a primeira vez que a cepa ômicron é isolada no Brasil”, explica Edison Luiz Durigon, professor do ICB-USP e coordenador do projeto, apoiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). “Essa amostra foi rapidamente sequenciada pelo hospital, que confirmou que era a cepa ômicron. Pegamos essa amostra e colocamos em cultura de célula”, completa ainda.

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A amostra foi colhida de um casal de brasileiros que vieram da África do Sul. Os dois testaram positivo para a Covid-19 e foi constatada a variante Ômicron. A previsão é de que no período de duas semanas haverá um estoque suficiente de vírus cultivado para dar início à distribuição pelo país. 

Variante Ômicron da Covid-19

“Para os laboratórios que estão necessitando com mais urgência, conseguimos enviar algumas alíquotas mais rapidamente”, diz Durigon. As amostras da Cepa permitem a testagem de casos de forma mais rápida.

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O isolamento da variante foi feito com uma técnica de reação de neutralização por efeito citopático, conhecida como VNT, que os pesquisadores do ICB aprimoraram durante a epidemia de zika vírus no Brasil.

Para isolar o vírus, as amostras clínicas dos pacientes são incubadas em culturas de células Vero e levadas para uma estufa, onde permanece entre 48 e 72 horas. 

“As células ficam bastante arredondadas. Algumas variantes do SARS-CoV-2 causam até sincícios [formação de células multinucleadas por fusão de células uninucleadas ou por muitas divisões celulares incompletas de células]”, afirma Durigon. “Após 72 horas, conseguimos isolar 100% das amostras com relativa facilidade”, diz.

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