Os corroteiristas de “Matrix Resurrections” David Mitchell e Aleksandar Hemon, juntamente à diretora e criadora da história, Lana Wachowski, reinventaram o papel da personagem Trinity para refletir melhor o mundo atual, mais de 20 anos depois do lançamento do primeiro filme.

O Olhar Digital já viu “Matrix Resurrections”. Você pode conferir a crítica aqui.

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Em entrevista à Polygon, Mitchell e Hemon, que também colaboraram com Lana na série de ficção científica da Netflix Sense8, falaram sobre a abordagem usada para trazer a personagem Trinity de volta à vida no novo Matrix, levando em conta o legado e cultura da franquia e suas transformações ao longo dos anos.

“Trinity na trilogia original era uma personagem e uma mulher com tanto poder, diligência e habilidade”, comentou Hemon. “Matrix estabeleceu um padrão para heroínas de ação femininas, então de certo modo nós tivemos que seguir de acordo com isso, enquanto também levar em consideração a passagem do tempo. Nós tivemos que, de certa forma, atualizar a Trinity, e ao mesmo tempo manter a mesma diligência que ela tinha na primeira trilogia. Várias coisas mudaram para melhor de muitas formas, mas não inteiramente, para as mulheres no cinema e para mulheres no mundo. O papel da Trinity tinha que refletir isso.”

Para ilustrar essa mudança, a dupla de roteiristas escolheu uma cena específica, em que Trinity e Neo conversam numa cafeteria. “É uma das cenas mais calmas do filme inteiro, em que Thomas e Tiffany estão simplesmente conversando, e ela é a que mais fala dos dois. Ela só está falando sobre sua vida, sacrifícios, decepções e não é exagerado”, diz Mitchell. “Ele não a corrige, ele não discute com ela. Ele não explica nada. Ele apenas senta ali, ouve, e isso é calmamente revolucionário. Eu não consigo pensar em muitos filmes em que um homem faz isso, especialmente filmes com o nível de ação e explosões que você tem num filme de ‘Matrix’.”

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Sobre se o arco da Trinity em “Matrix Resurrections” foi uma reação aos últimos 20 anos de evolução cultural em relação a gênero, ou apenas uma decisão natural no processo de escrita do filme, David Mitchell atribui a ambos.

“Sim, o filme está respondendo ao que aconteceu no mundo no que diz respeito a relações de gênero, e de outras maneiras, nos últimos 20 anos. Como deveria, como a arte deveria. Mas também é verdade que, talvez mais do que a trilogia, este filme na verdade é sobre ambos [Neo e Trinity], e a terceira coisa que eles fazem, que é o amor. ‘Matrix Resurrections’ é um filme de ação, é um banquete visualmente suntuoso. No entanto, no fundo, ele também é uma história de amor.”

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