Segurança e Privacidade

Hackers estão fazendo dinheiro para a Coreia do Norte, diz relatório

29/12/21 15h43, atualizada em 29/12/21 17h21
Teclado de computador e a bandeira da Coreia do Norte estampada em uma das teclas e no canto abaixo escrito "hack"

Hackers Coreia do Norte/David Carillet/Shutterstock

Kim Jong Un, líder supremo da Coreia do Norte, pode estar usando hackers para conseguir dinheiro para seu governo e assim permanecer no poder. Segundo traz a Bloomberg, um relatório da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) dos Estados Unidos aponta que os crimes cibernéticos têm financiado o programa de armas nucleares do país e impulsionado a economia local.

As atividades maliciosas dos agentes da Coreia do Norte têm como alvo bancos em todo o mundo e as forças armadas dos países mais poderosos ao redor do planeta. Entre seus ataques, há roubo de segredos de defesa, extorsão de dinheiro por meio de ransomware, sequestro de moeda extraída digitalmente e lavagem de criptomoedas.

Os valores obtidos pelo país por meio de hackers, de acordo com as informações, podem chegar a US$ 2,3 bilhões (aproximadamente R$ 13 bilhões em conversão direta, para termos uma ideia em nossa moeda).

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Uma forma de contornar problemas de sanções

A documentação sobre o uso de hackers pelo país norte-coreano aponta, dentre outros detalhes, para tentativas de roubo de US$ 2 bilhões do sistema de transações financeiras da Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (Swift). A Coreia do Norte também teria conseguido acesso ilegal a tecnologia militar, que poderia ser usada para ganhos financeiros.

Com as ações dos hackers, a Coreia do Norte teria encontrado uma forma de se beneficiar diante das sanções comerciais impostas ao país por conta de seu programa de armas nucleares. Fora o uso de crimes cibernéticos, o comércio de commodities (como o carvão) é um dos meios por onde o país obtém recursos financeiros.

O malware AppleJesus é apontado como uma plataforma de negociação de criptomoedas para roubar fundos usada pelos hackers norte-coreanos. Desde 2018, várias versões do software malicioso foram usadas para atingir mais de 30 países.

Ativos virtuais avaliados em US$ 316,4 milhões foram roubados com o uso do malware, de acordo com investigações da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos EUA. Algo muito próximo do que a Coreia do Norte conseguiu com a exportação de carvão estando sob sanções (US$ 400 milhões).

Coreia do Norte aposta nos hackers

Para Ji Seong-ho, refugiado norte-coreano que é membro da assembleia nacional da Coreia do Sul, o dinheiro que o governo de Kim Jong Un ganha com hacking deve aumentar muito na próxima década. “A capacidade cibernética da Coreia do Norte tende a se tornar mais avançada”, afirma.

A Reconnaissance General Bureau, agência de inteligência norte-coreana que gerencia as operações clandestinas do Estado, definiu sua unidade de guerra cibernética como de prioridade máxima em 2003. Kim Jong Un manteve tais condições quando assumiu o país em 2011, intensificando seus recursos.

Conforme afirmam desertores da Coreia do Norte, atualmente, há 6 mil agentes hackers qualificados na unidade, também conhecida como Bureau 121. Entre suas divisões, há uma com a missão de conduzir o cibercrime financeiro, concentrando-se na avaliação de longo prazo.

Outra divisão foca em explorar vulnerabilidades em redes de computadores, como foi descoberto em agosto, com hackers da Coreia do Norte explorando falhas no navegador Internet Explorer para espalhar malware pela Coreia do Sul. Kim Jong Un também tem enviado especialistas norte-coreanos ao exterior para treinamentos em tecnologia da informação.

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Imagem: David Carillet/Shutterstock

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