A produção de veículos no Brasil cresceu 11,6% em 2021, atingindo a marca de 2,24 milhões de unidades fabricadas. Os dados foram anunciados pela Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automores) nesta sexta-feira (7).

Os números são animadores em comparação a 2020, quando foram produzidos 2,01 milhões de unidades, mas em relação a 2019, o valor segue aquém, já que naquele ano 2,9 milhões de carros foram montados.

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O recorde histórico de produção de automóveis no Brasil segue sendo a marca de 2013, quando foram fabricados 3,74 milhões de veículos.

Em dezembro, a produção aumentou 0,8% em comparação com o mesmo mês de 2020. A fabricação de 210,9 mil unidades representou também uma alta de 2,5% em relação ao mês anterior.

Em coletiva de imprensa, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, elogiou o esforço das montadoras para aumentar a produção, principalmente pela falta de semicondutores que alastra pelo mundo inteiro. “Conseguimos puxar a produção em dezembro, trazendo peças, falando com fornecedores, ligando para as nossas matrizes para disponibilizarem semicondutores, de tal forma que pudéssemos entregar o máximo possível para atender a fila de espera”, disse o executivo.

Na análise por segmento, o destaque foi a produção de caminhões e ônibus, que cresceu 74,6% em 2021, na comparação com 2020, somando 158,8 mil unidades. Já a produção de automóveis e veículos leves aumentou 8,7%, totalizando 2,07 milhões de unidades.

Caminhão em Atibaia (SP)
O destaque em 2021 foi para a produção de caminhões, que cresceu 74,6% em 2021 (Imagem: Stefan Lambauer/Shutterstock)

Anfavea faz previsão moderada para 2022: alta de 9,4% na produção e 8,5% na venda de veículos

Ainda de acordo com a Anfavea, a venda total de veículos teve alta de 3%, com a comercialização de 2,12 milhões de unidades. No entanto, no que tange a automóveis e veículos comerciais leves, houve uma pequena queda na comercialização (1%), com a venda de 1,72 milhão de unidades. Em dezembro, o recuo foi preocupante — 22,3% — em relação a 2020.

As exportações da indústria automobilística somaram 376,4 mil unidades de janeiro a dezembro de 2021, o que representa uma alta de 16% em comparação com 2020. As vendas para o exterior em dezembro aumentaram 8,3% ante o mesmo ano de 2020.

Para 2022, a Anfavea prevê, no Brasil, uma alta na produção de veículos de 9,4%. Para a venda, a associação faz um prognóstico de aumento em 8,5%, e para a exportação, de 3,3%.

“Temos uma indústria resiliente, que trabalhou de forma intensa para proteger seus funcionários nesses dois anos de crise, mitigar perdas e manter investimentos em produtos, dado que entramos em 2022 com uma nova e rigorosa fase do Proconve para veículos leves, que reduz ainda mais as emissões dos automóveis brasileiros”, disse Moraes, na coletiva.

Risco de paralisação

Apesar do tom de otimismo, o presidente da Anfavea alerta que o risco à produção pela falta de semicondutores vai continuar neste ano. De acordo com Moraes, é possível que as fábricas possam parar por dias ou semanas diante do cenário de escassez global.

“Vamos verificar dias parados numa fábrica, semanas em uma outra. Esperamos que com menos emoção do que em 2021, mas risco continua no radar”, disse o executivo, quando questionado se há uma possibilidade de paralisação em 2022.

Moraes também considerou que o nível de estoque de veículos no Brasil segue baixo, com volume suficiente para 16 dias de venda — no total, 114,3 mil carros nos pátios de montadoras e concessionárias. Sobre a questão, o executivo atribui o problema a um “fenômeno global”.

Imagem: Divulgação/Volkswagen

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