Ainda alvo de muito preconceito, a hanseníase tem cura. O Janeiro Roxo é o mês de alerta para a conscientização sobre a doença infeciosa crônica, pois é sempre no último domingo do mês em que se celebra o Dia Mundial de Combate e Prevenção da Hanseníase.

Este ano, a campanha se chama “Precisamos falar sobre hanseníase” e visa chamar atenção das pessoas sobre o tratamento, oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O dia é celebrado, este ano, em 30 de janeiro.

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A hanseníase é causada pela Mycobacterium Leprae, também conhecida como bacilo de Hansen, que se reproduz lentamente e o período médio de incubação e aparecimento dos sinais da doença é de aproximadamente cinco anos. O nome é uma homenagem à Gerhard Hansen, o médico e bacteriologista norueguês descobridor da doença, em 1873.

Manchas na pele, que resultam em lesões e perda de sensibilidade na área são os sintomas iniciais da doença. A hanseníase também pode levar o paciente a sentir fraqueza muscular e sensação de formigamento nas mãos e nos pés. É preciso buscar tratamento logo no começo, pois a infecção pode causar sequelas progressivas e permanentes, chegando até a cegueira.

Um dos problemas, atualmente é conseguir diagnosticar a hanseníase no início. Há dois anos, também houve falta de medicamentos. Artur Custódio, coordenador Nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), destaca a necessidade de produção dos remédios no Brasil, para não deixar os pacientes vulneráveis a problemas externos.

No ano passado, a Fiocruz anunciou que desenvolveu o primeiro teste molecular para hanseníase. Imagem: Erasmo Salomão/MS

“Necessitamos de um sistema de reabilitação que aceite as pessoas, que não tenha preconceito, que possa cumprir com o papel de reabilitar aqueles que ficaram com alguma sequela da hanseníase. E por último, temos que enfrentar o estigma da doença. O estigma é subestimado, ele está aí, ele é estrutural e gera uma série de problemas, inclusive do ponto de vista institucional”, disse, em entrevista à Agência Brasil.

Cerca de 30 mil novos casos da doença são detectados anualmente no Brasil. No mundo todo, são 210 mil novos casos, sendo 15 mil em crianças. A hanseníase ocorre em 127 países, com 80% dos casos na Índia, Indonésia e Brasil. Por aqui, já existiu uma política que segregava os indivíduos, mas o país eliminou essas leis e indenizou as vítimas.

A hanseníase é transmitida pelo ar. A maioria da população tem defesas naturais contra a bactéria. Mas, 10% não têm e pode adoecer. O tratamento é feito com antibióticos e, assim, a doença para de ser transmissível.

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