Apesar das constantes repressões às empresas de tecnologia de consumo, as startups chinesas que têm finalidades sintonizadas com o Partido Comunista receberam financiamentos recordes ao longo de 2021. Entre elas, se destacam as que atuam nos segmentos de semicondutores, biotecnologia e tecnologia da informação. Foram US$ 129 bilhões em mais de 5.300 startups chinesas, batendo o recorde anterior de US$ 115 bilhões, registrado em 2018. 

A informação é do banco de dados Preqin, que faz acompanhamento em negócios de capital de risco na China desde 2000.  

publicidade

Investimentos podem superar US$ 190 bilhões 

Os US$ 129 bilhões não incluem os financiamentos de private equity, que atingiram US$ 165 bilhões nos três primeiros trimestres de 2021, ou seja, tudo indica que a marca total de US$ 190 bilhões registrada em 2017 poderá ser superada. Afinal, os dados completos ainda não foram divulgados. 

Esse boom de investimentos demonstra a potencialidade das startups chinesas, mesmo com as constantes tentativas do governo de impor restrições a algumas empresas, como Alibaba Group Holding Ltd. e a empresa de carona Didi Global Inc. Group.   

Leia mais:

Restrições do governo chinês X embargos norte-americanos 

Se não bastassem as restrições do governo chinês com foco no controle dos dados, as startups chinesas ainda enfrentam a proibição dos EUA de comercialização de equipamentos e investimentos, tudo como estratégia de ataque na guerra comercial travada entre os dois países. 

No entanto, Pequim elaborou um plano de cinco anos para desenvolvimento de tecnologia como um assunto de segurança nacional, anunciando o aumento de 7% nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento ao ano. 

O valor é maior do que o previsto para as Forças Armadas do país e inclui a aceleração do desenvolvimento de tecnologias de chips e inteligência artificial, além de computação quântica. O objetivo é fazer com que a China elimine a dependência de fornecedores estrangeiros e assuma definitivamente a liderança nas tecnologias avançadas.

Mundo enfrenta crise de chips
Um dos focos dos investimentos em startups chinesas é na produção de semicondutores, de olho no mercado global que enfrenta uma crise no setor Crédito: Pixabay

Mudança de estratégia 

Ao contrário de anos anteriores, quando a China promoveu o movimento ‘Internet Plus’, de olho na modernização das indústrias do país, agora a estratégia é investir pesado nas empresas de semicondutores. 

Enquanto as empresas de internet de consumo abocanharam 50% dos investimentos há cinco anos, agora esse percentual encolheu para 15%. Agora, a aposta é nas empresas de ‘hard tech’ ou tecnologia da informação. 

“Semicondutores, manufatura avançada, software empresarial, qualquer coisa que envolva dados, essas são áreas maduras”, disse Gary Rieschel, sócio da Qiming Venture Partners, que tem cerca de US$ 6 bilhões em ativos sob gestão, com escritórios em Pequim, Xangai, Hong Kong e Suzhou. 

Retornos a longo prazo 

A expectativa de retorno sobre os investimentos (ROI) é a longo prazo, tendo em vista que as startups de tecnologia têm ciclos de desenvolvimento mais longos, mas apresentam uma excelente oportunidade comercial. 

No entanto, há um longo caminho a ser percorrido, pois a China depende de outros países nas fundições de chips e enfrenta vários controles de exportação de equipamentos de ponta por parte dos Estados Unidos. 

A curto prazo, dificilmente a China conseguirá atingir o mercado do Ocidente, mas há vários investimentos em bancos de dados, software empresarial e SaaS, software como serviço. 

Assim, a atração de capitais de risco continua tendo a China como uma escolha certeira. Tanto é que a Bolsa de Valores de Pequim já é um local para startups menores com tecnologia avançada   

Além disso, várias províncias chinesas, incluindo Xangai, Jiangsu e Guangdong, bem como o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação, também introduziram metas e políticas que favorecem a implantação de manufatura avançada, software e circuitos integrados. 

Via: The Wall Street Journal

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!