Um levantamento feito pela agência espacial norte-americana (NASA) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) concluiu que a temperatura da Terra em 2021 foi a sexta maior da história, sinalizando uma tendência de crescimento que vem ocorrendo desde pelo menos 2018 – que deve ser maior em 2022 e além.

O estudo das agências considerou seis cálculos diferentes que posicionaram o ano de 2021 entre o quinto e sétimo lugares no ranking de temperaturas mais quentes já registradas da Terra. Em alguns cálculos, o ano passado ficou sozinho em sexto lugar, enquanto em outros empatou na mesma posição com 2018 – outro ano excepcionalmente quente.

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Imagem simbolizando o aumento da temperatura da Terra
O aumento da temperatura da Terra vem ocorrendo de forma gradual, mas a longo prazo, cientistas dizem que ela pode se tornar insuportável, causando diversos problemas climáticos (Imagem: buradaki/Shutterstock)

“[A questão] é o longo prazo, e ele é uma marcha indomitável para cima”, disse o cientista climático Zeke Hausfather, do grupo de monitoramento Berkeley Earth – autor de um dos cálculos considerados no levantamento. “Não é algo tão chamativo como se 2021 tivesse sido o ano mais quente da história, mas espere mais alguns anos e teremos mais um daqueles [recordes]”.

De acordo com todos os cálculos ponderados, a temperatura da Terra em 2021 só não foi mais quente por causa do fenômeno “La Niña”, período climático que age em antítese ao “El Niño” – o primeiro esfria a temperatura dos oceanos, enquanto o segundo a aumenta.

Contudo, o ano de 2021 teve a La Niña mais quente já vista, ou seja, seu efeito de “esfriar a Terra” vem perdendo força. Paralelamente, devido ao avanço do aquecimento global e os gases do efeito estufa ficando mais e mais retidos na Terra, o El Niño vem aumentando sua capacidade.

“A tendência de longo prazo está muito, muito clara”, disse Gavin Schmidt, cientista climático que liderou as projeções da NASA no levantamento. “A culpa disso é nossa. E isso não vai parar enquanto não pararmos de aumentar a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera”.

Dióxido de carbono – popularmente conhecido como “gás carbônico” (CO2, na fórmula química) – é um dos maiores contribuidores do avanço do aquecimento global. 

Segundo os dados do levantamento, os últimos oito anos foram os mais quentes da história, com temperaturas variando algo em torno de 1,1 grau Celsius (ºC) na última década. Parece pouco, mas segundo um estudo da Universidade de Yale de 2017, um único grau foi suficiente para desequilibrar toda a vida marítima de um pedaço controlado da Antártida.

No estudo, os cientistas aqueceram em apenas um grau um pequeno pedaço abaixo da superfície, e o efeito imediato disso foi a população de briozoários dobrar. E, tal qual a extinção de uma espécie, a superpopulação dela também traz problemas consideráveis, com eventual falta de alimento e morte dos indivíduos.

Pior: os cientistas do levantamento em conjunto da NASA e da NOAA tentaram identificar se o aumento da temperatura da Terra está acelerando, fazendo os números crescerem antes do previsto. Segundo eles, é impossível afirmar isso com certeza, mas os primeiros sinais apontam nessa direção:

“Eu acho que já podemos ver a aceleração, mas ainda não está claro se ela é estatisticamente robusta”, disse Schmidt. “Se você olhar apenas para os últimos 10 anos, quantos deles ficaram acima da tendência em relação aos anos anteriores? Quase todos eles”.

De acordo com a NOAA, a temperatura média da Terra em 2021 foi de 14,7 ºC. O levantamento afirma que 25 países na Ásia, África e Oriente Médio registraram seus anos mais quentes, incluindo China, Nigéria, Bangladesh, Irã, Mianmar e Coreia do Sul. No que tange aos oceanos, as regiões mais profundas (abissais) – onde o calor absorvido pelas águas é mais retido – também registraram aumento recorde.

“O aquecimento do oceano, além de causar o embranquecimento dos recifes de coral e ameaçar a vida marítima da qual dependemos para cerca de 25% de nossa ingestão de proteínas, está desestabilizando as camadas de gelo da Antártida e ameaça causar um aumento massivo do nível do mar”, disse o co-autor do levantamento, Michael Mann, cientista climático da Universidade Estadual da Pensilvânia.

De acordo com os cientistas envolvidos, a última vez em que uma temperatura dentro ou abaixo da média para a Terra foi registrada foi no ano de 1976. Em termos comparativos, 69% da população do nosso planeta nunca sentiu um ano de temperaturas amenas, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

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