A NASA ficou bem contente com o anúncio da extensão da missão da Estação Espacial Internacional (ISS), feita pelo seu chefe administrativo, Bill Nelson, em 31 de dezembro de 2021. Tanto que, em conferência online apresentada por oficiais da agência na última terça-feira (18), anunciou que pretende tirar o máximo de proveito disso.

A conferência foi organizada pelo Comitê de Exploração Humana e Operações, com mediação de Kathy Lueders, administradora associada de operações espaciais da NASA.

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Imagem divulgada pela NASA mostra a Estação Espacial Internacional no espaço
A Estação Espacial Internacional é retratada de uma janela a bordo da SpaceX Crew Dragon Endeavour, durante um sobrevoo ao redor do laboratório orbital que ocorreu após seu desencaixe do porto espacial do módulo Harmony, em 8 de novembro de 2021 (Imagem: Centro Espacial Johnson/NASA)

“Pouco depois do último Natal, nós recebemos um presente na forma do anúncio confirmando a extensão de nossa estação. Essa é a hora em que eu desejaria que tivéssemos aquelas estrelas explodindo”, ela disse, mencionando os efeitos especiais dos iPhones que aparecem quando você manda uma mensagem de “Feliz Ano Novo”. “Estamos muito felizes de continuar trabalhando até 2030, temos muitas coisas que queremos continuar fazendo na estação espacial”.

Lueders ressaltou que, daqui em diante, algumas coisas vão mudar na condução da ISS. Talvez a mais evidente seja o fato de que os Estados Unidos não mais serão o decisor final sobre o que acontece com a estrutura. Até 2030, todas as decisões pertinentes à estação deverão ter a aprovação de todos os parceiros — em outras palavras, as agências espaciais europeia (ESA), canadense (CSA), japonesa (JAXA) e a russa (Roscosmos) também terão poder de veto.

Mais além, essas agências parceiras já sinalizaram apoio à continuidade das operações, embora ainda estejam em conversas com seus próprios governos para assegurar isso de forma oficial, segundo Robyn Gatens, diretora da ISS para a NASA. “Cada um deles [parceiros] contará com o seu próprio calendário e ciclos de orçamento”.

Gatens também ofereceu algumas atualizações em relação à tecnologia utilizada na estação, considerando que muitos dos componentes internos da estrutura já passam de 20 anos de vida, em uso contínuo. Esse diferencial de tempo, por exemplo, foi apontado como possível causa de alguns problemas recentes.

“A tripulação identificou e selou, em caráter permanente, uma rachadura no módulo, reduzindo a taxa de vazamentos em cerca de 50%, e agora continua trabalhando para identificar outros pontos de interesse”, disse a diretora, em relação ao vazamento de ar encontrado no módulo de serviço russo Zvezda, sob monitoramento desde 2019. “Temos gás suficiente a bordo, então não há nenhum perigo imediato à estação ou à tripulação, e no pior dos casos, podemos fechar o módulo permanentemente”.

A ideia por trás da conferência foi acalmar eventuais dúvidas de que a ISS aguentará mais (quase) uma década de trabalho. Lá em cima, a Estação Espacial Internacional é palco para inúmeros experimentos de vários pilares científicos — da biologia, botânica, química, física —, bem como um excelente ponto de observação da Terra, sob uma perspectiva de fora do planeta.

Com isso, os riscos inerentes de certas atividades humanas causaram uma bem ajustada dúvida na comunidade internacional – sobretudo sobrando menções sobre o malfadado teste de míssil anti satélite executado pela Rússia em novembro de 2021, que colocou 1,5 mil novos destroços na órbita da Terra, ampliando o problema do lixo espacial.

“Esses destroços continuarão em órbita por algum tempo, por anos, então qual será o seu efeito mais duradouro no ambiente em que a estação está voando?” — disse Gatens. “Esse teste aumentou nosso volume de riscos de destroços em cerca de duas vezes, se comparado ao volume anterior a ele”.

Trocando em número: a NASA antecipava o risco de colisão, antes do teste, em 1 chance a cada 50 mil órbitas. Hoje, esse número está entre 1 em 33 mil órbitas e 1 entre 25 mil órbitas. Anualmente, a ISS realiza 6 mil órbitas, em média. Evidentemente, Gatens reconhece que o aumento de destroços não é o mais ideal dos cenários, mas a NASA está confiante na continuidade da estação, apesar disso.

“Nós sabemos como lidar com isso”, disse Gatens. “Vamos oferecer todo o foco que pudermos dentro da Estação Espacial Internacional”.

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