Uma segunda torre móvel de lançamento que será usada pelo Space Launch System (SLS), foguete que conduzirá parte das missões do Programa Artemis de retorno à Lua, vem causando preocupações à Nasa.

Batizada de ML-2, a segunda torre contará com um segundo estágio ainda maior que a primeira, o que faz com que ela não caiba no “lançador móvel” principal (ML-1). Sua construção está sob responsabilidade da Bechtel National, que venceu a licitação da NASA com um valor de US$ 383 milhões (R$ 2,06 bilhões) e entrega prevista para março de 2023. Em outras palavras: mais ou menos um terço do custo do lançador primário, e apenas metade do tempo disponível.

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Imagem mostra esqueleto da segunda torre de lançamento do SLS, foguete da NASA
O suporte primário para começar a construção da segunda torre móvel de lançamento (ML-2) do SLS, o foguete da NASA que levará o homem de volta à Lua (Imagem: Bechtel/Divulgação)

Durante a apresentação do Aerospace Safety Advisory Panel (ASAP) da NASA, o engenheiro George Nield, que presta consultoria para a agência, disse que 90% das plantas desenhadas da estrutura estão atrasadas. “O Lançador Móvel 2 [nome da nova estrutura] encontrou alguns obstáculos” disse Nield. “A empresa contratada, Bechtel, tem enfrentado algumas dificuldades de performance, associadas à complexidade do projeto e a preocupações relacionadas a fornecedores, sem falar na COVID”.

Ou seja, por motivos vão desde má administração de calendário da Bechtel até a atual pandemia, a empresa recebeu o que a indústria chama de “segunda carta de preocupações” da NASA, na qual a agência pede que a contratada faça uma análise minuciosa de riscos e impedimentos do projeto, além de traçar um plano de correção e identificar oportunidades de redução de custos e minimizar “disrupções de agenda” com maior eficiência.

Segundo o documento, esse plano deve ser entregue à NASA na próxima terça-feira (1/2).

Isso tudo, fora a expectativa que já vem sendo gerada sobre uma auditoria do inspetor geral da NASA, marcada para o segundo semestre de 2022: “o Lançador Móvel 2 (ML-2) vai montar, processar, transportar e lançar a cápsula Orion e variantes maiores do foguete SLS a partir da missão Artemis IV”, disse o inspetor, via Twitter. “A nossa futura auditoria vai determinar se o ML-2 está dentro do custo, prazo e objetivos de performance”.

Uma estrutura como o Lançador Móvel 2, contudo, não é algo que se levante da noite para o dia: basicamente, estamos falando de uma torre que deve ser, ao mesmo tempo, forte o suficiente para resistir a uma ignição explosiva de um foguete do tamanho do SLS (108 metros em pé), mas também complexa a ponto de abastecer o veículo com combustível quando ele estiver ao chão. Por isso, não é tão inconcebível que sua construção encontre alguns “gargalos”.

Ainda assim, parece que a NASA não está gostando muito do fato da construção estar a) atrasada e b) provavelmente vá exceder – se já não excedeu – o orçamento.

A Bechtel não comentou as informações divulgadas.

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