Recentemente, dezenas de astrônomos estiveram em Las Vegas, nos EUA, para observar uma luz muito fraca vindo de uma estrela que fica a milhares de anos-luz de distância da Terra. O que eles queriam ver especificamente era essa luz apagar por alguns segundos, em um processo chamado ocultação estelar.

É difícil imaginar por que um grupo tão grande de cientistas se reuniu, simplesmente, para observar determinada estrela “piscar” no céu. No entanto, isso forneceu dados necessários para ajudá-los a determinar o tamanho de Eurybates, um dos asteroides troianos que são o alvo da missão Lucy, da Nasa. 

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Sucesso do procedimento depende de múltiplos fatores alinhados

A maioria das pessoas conhece a forma mais comum de ocultação estelar: um eclipse. Mas podem acontecer ocultações com qualquer estrela de fundo e elas podem ser causadas por qualquer objeto que passar em primeiro plano. 

Calcular onde essas pequenas ocultações de estrelas por asteroides ocorrerão requer uma quantidade significativa de mecânica orbital e poder de processamento. A Terra em si tem que estar posicionada corretamente, e os asteroides e estrelas têm que se alinhar e ter seus tamanhos adequados.

Se um asteroide for grande o suficiente, ele causará uma espécie de “sombra” na luz da estrela, e essa sombra pode ser usada como uma medida indireta do tamanho do asteroide. A sombra que Eurybates causou, por exemplo, tinha aproximadamente 64 km de largura.

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No entanto, isso não é o suficiente para os cientistas descobrirem suas dimensões precisas. Então, eles montaram locais de observação ao redor do perímetro da sombra enquanto ela estava sobre o deserto de Nevada e mediram a quantidade de tempo em que a estrela foi obscurecida. Eles se espalharam em um padrão para capturar o máximo possível da ocultação e usar esses dados observacionais para calcular o verdadeiro tamanho de Eurybates. 

Adversidades quase impediram observação de ocultação estelar 

Embora o procedimento tenha sido feito em um deserto, algumas nuvens obstruiram quase toda a ocultação, impossibilitando coletar os dados necessários para identificar o verdadeiro tamanho do asteroide. E, para tornar os cálculos ainda mais complicados, o telescópio espacial Hubble encontrou uma lua orbitando Eurybates que poderia confundir os dados se não fosse perfeitamente posicionada fora do caminho durante a ocultação.

A despeito de todas as dificuldades, deu tudo certo, e os cientistas foram capazes de coletar os dados necessários para definir melhor o tamanho do asteroide troiano. Essa informação atualizada também deve permitir que os astrônomos estimem melhor o tamanho dos outros alvos de Lucy.

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