Com a iminência das missões tripuladas do Programa Artemis, a agência espacial americana (NASA) decidiu abrir a última amostra fechada da Lua, trazida à Terra durante o Programa Apollo. A amostra em questão tem mais ou menos 50 anos e seu estudo buscará atualizar os conhecimentos que temos sobre o nosso satélite natural.

A abertura da amostra vem sendo coordenada pela ARES (sigla para “Divisão Científica de Exploração e Pesquisa de Astromateriais”), uma área da NASA que é especificamente dedicada à manutenção e armazenamento de materiais que vêm do espaço – seja por ação natural, como meteoritos que já tocaram o solo da Terra; ou humana, como a coleta de amostras feitas por aparatos robóticos.

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Cientistas da NASA começam a extração de gás da amostra lunar ANGSA 73001, a última recolhida pelo Programa Apollo, na década de 1970
Cientistas da NASA começam a extração de gás da amostra lunar ANGSA 73001, a última recolhida pelo Programa Apollo, na década de 1970 (Imagem: Robert Markowitz/NASA/Divulgação)

“Entender o histórico geológico e a evolução de uma amostra lunar nos locais de pouso do [Programa] Apollo vai nos ajudar a nos prepararmos para os tipos de amostras que poderemos encontrar durante o Artemis”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missões Científicas da NASA em Washington. “O Programa Artemis quer trazer de volta amostras frias e seladas do pólo sul lunar. Essa é uma oportunidade empolgante de aprendizado para compreender as ferramentas necessárias para coletar e transportar essas amostras, analisá-las e guardá-las na Terra, para gerações futuras de cientistas”.

A amostra em questão foi nomeada “ANGSA 73001” e viajou para a Terra após ser coletada pela tripulação da missão Apollo 17 – a última do programa onde astronautas caminharam na Lua (especificamente, o comandante Eugene Cernan e o piloto do módulo lunar, Harrison Schmitt), em 1972. A missão também fechou o Programa Apollo, cuja administração optou por manter algumas das caixas fechadas.

“A agência sabia que a ciência e a tecnologia iriam evoluir e permitiriam que cientistas estudassem o material de novas formas, respondendo a questões que viessem no futuro”, disse Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA. “A iniciativa ANGSA foi desenhada para examinar essas amostras especialmente seladas e armazenadas”.

Duas amostras voltaram dessa viagem, sendo a 73001 a única selada a vácuo. A outra – 73002 – foi aberta em 2019.

A amostra selada, contudo, estava extremamente fria quando foi coletada. Por ela ser fechada a vácuo, é provável que muitas substâncias voláteis que evaporam em temperatura ambiente – como água congelada ou dióxido de carbono – possam estar preservadas. Sem falar em gás, que os cientistas esperam encontrar:

“A quantidade de gás que se espera estar presente nessa amostra selada da Apollo é provavelmente bem baixa. Se os cientistas conseguirem extrair esses gases com cuidado, eles poderão ser analisados e identificados por meio de tecnologia de espectrometria”, diz trecho do comunicado publicado no site da NASA. “Isso não apenas nos trará medidas aprimoradas, mas também significa que o gás coletado pode ser dividido em porções menores e compartilhado com diferentes pesquisadores que conduzem diferentes tipos de ciência lunar”.

Ao contrário do que se pensa, porém, esse não é um processo rápido – tanto que a NASA só o divulgou agora, mas ele já começou lá em 11 de fevereiro deste ano, com a abertura do compartimento exterior.

Ainda temos um tempo até a análise completa aparecer. A NASA antecipa que a amostra de solo da Lua seja tocada na primavera norte-americana – que começa em 20 de março e vai até o final de junho.

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