Projetada pela Boeing por encomenda para a NASA, a espaçonave Starliner está pronta para um lançamento de teste, denominado OFT-2 (sigla em inglês para voo orbital de teste 2), que, segundo a agência espacial norte-americana, vai ocorrer no dia 19 de maio

Um problema que impediu 13 válvulas de operar corretamente em julho do ano passado está no meio de uma briga entre a Boeing e a Aerojet Rocketdyne, fabricante das válvulas da Starliner. Imagem: ULA

Como o próprio nome indica, essa será a segunda tentativa de alçar a espaçonave à órbita. A primeira não teve sucesso: em dezembro de 2019, o veículo espacial passou por vários problemas de software, ficando “encalhado” em uma altura de órbita baixa da Terra por aproximadamente dois dias antes de cair no oceano.

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De acordo com um comunicado emitido pela NASA, a decolagem será a partir do Space Launch Complex-41, na Estação de Força Espacial em Cabo Canaveral, na Flórida, às 20h54, pelo horário de Brasília.

Esse teste será uma nova oportunidade para a Boeing simular uma missão à Estação Espacial Internacional (ISS). A cápsula CST-Starliner vai partir no topo de um foguete Atlas V, da United Launch Alliance (ULA), permitindo à Boeing preparar a espaçonave para as operações de lançamento, acoplamento e retorno à Terra.

A missão é um passo crucial para restabelecer a empresa como uma rival viável para a SpaceX. No entanto, segundo a agência de notícias Reuters, um fator complicador para isso é um desentendimento entre a Boeing e o fornecedor de sistemas de propulsão Aerojet Rocketdyne.

Elas estão em desacordo sobre a causa de um problema envolvendo 13 válvulas de combustível no sistema de propulsão Starliner que ficaram presas e não responderam aos comandos, impedindo a realização do voo de teste em julho do ano passado.

Boeing quer que a Aerojet Rocketdyne assuma a responsabilidade sobre a falha

Enquanto uma equipe de engenheiros da Boeing defende que a causa das válvulas presas envolve uma reação química entre propelente, materiais de alumínio e a intrusão de umidade do local de lançamento, engenheiros e advogados da Aerojet veem isso de forma diferente. Eles culpam um produto químico de limpeza que a Boeing usou em testes terrestres, segundo fontes ouvidas pela Reuters que não quiseram se identificar. 

“Os testes para determinar a causa raiz do problema da válvula estão completos, e o trabalho não encontrou os problemas descritos pela Aerojet”, disse a Boeing em comunicado. Segundo Steve Stich, que supervisiona os programas de tripulação da Boeing e da SpaceX para a NASA, a agência compartilha dessa visão.

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A Boeing também acusa a Aerojet de não cumprir seus requisitos contratuais para tornar o sistema de propulsão seguro o suficiente para resistir aos problemas causados pelas reações químicas.

Na semana passada, a Boeing levou a Starliner à plataforma de lançamento pela terceira vez antes do próximo lançamento, tendo trocado o sistema de propulsão por um novo com uma correção temporária que impede que a umidade se infiltre na seção das válvulas.

Uma reunião entre a NASA, a Boeing, a Aerojet e conselheiros independentes de segurança está programada para esta semana para chegar a uma determinação final sobre a causa dos problemas da válvula e decidir se a correção temporária vai funcionar.

Funcionários da Boeing consideram a explicação da Aerojet para as válvulas defeituosas como uma tentativa de se livrar da responsabilidade financeira pelo atraso do lançamento da Starliner e evitar pagar por um sistema de válvulas redesenhado.

“É risível”, disse uma pessoa envolvida na investigação conjunta Boeing-NASA. “Conseguir que um fabricante de válvulas ou provedor de sistema de propulsão assuma ‘sim, eu estraguei tudo’. Isso nunca vai acontecer”.

Por enquanto, será necessário aguardar os resultados da reunião para saber se, finalmente, a Starliner será lançada na próxima semana.

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