Presente há 25 anos no dia a dia da população, o wifi teve um impacto considerável na forma como as sociedades se conectam à internet, democratizando o acesso em inúmeros ambientes. Criado pelo Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos, ele é baseado no IEEE 802.11, um grupo de protocolos sem fio, com padronização mundial. Mas com um mundo cada vez mais conectado, qual deve ser o futuro pós wifi? 

Avanço em 2022

Segundo estimativas da organização sem fins lucrativos Wi-Fi Alliance, que é dona da marca wifi, ao longo de 2022 quase 18 bilhões de dispositivos habilitados estarão em uso.

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O valor econômico global do wifi em 2021 foi estimado em US$ 3,3 trilhões (R$ 17,6 trilhões). Em 2025, espera-se que atinja US$ 4,9 trilhões (R$ 26,1 trilhões).

O wifi também elevou as exigências por conexões mais eficientes, confiáveis e seguras, em cenários híbridos ou de trabalho remoto, de sistemas complexos de conectividade em casa e nas empresas, e da internet das coisas (IoT).

No entanto, há vários desafios, tendo em vista que pelo menos 244 milhões de pessoas na América Latina não têm acesso à internet, de acordo com um estudo de 2021 do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Microsoft.

Mas, depois da pandemia da Covid-19, a conectividade ganhou impulso, Muitas novidades tecnológicas por parte de governos e organizações ajudaram a levar conectividade a áreas remotas, como na Índia e Canadá. 

Futuro à vista

Desde o lançamento do wifi, os padrões evoluíram continuamente, melhorando a velocidade, acrescentando novos recursos ou tecnologias e um novo nome de identificação.

O 802.11ax, ou Wi-Fi 6, é a atualização mais recente, lançada em 2021. Esse padrão oferece velocidade ultrarrápida de 9,6 gigabit por segundo (Gbps) e suporta bandas de frequência de 2,4 gigahertz (GHz), 5 GHz e 6 GHz e canais amplos (80, 160 MHz), entre outros recursos. Mas ele ainda não está amplamente disponível no mercado.

Os engenheiros já estão trabalhando no próximo passo, o 802.11be ou Wi-Fi 7, com recursos aprimorados que prometem ser “um marco importante”.

Demanda por wifi deve crescer

Tudo parece indicar que não há limites para o wifi. “Ainda não encontramos [limite], e a projeção é que haverá um crescimento de dez vezes na demanda por fontes wifi nos próximos dez anos”, diz Sujit Dey, diretor do Centro de Comunicações Sem Fio da Universidade de San Diego (USD), nos Estados Unidos. 

“Nosso objetivo é focar em maior alcance, desempenho e continuar a compatibilidade com versões anteriores, porque queremos que as pessoas usem seus dispositivos que já compraram”, reforça. 

Os avanços no wifi não apenas melhoram a velocidade, como também permitem que muitos dispositivos se conectem ao mesmo tempo e mantenham essa velocidade.

“Mais pessoas querem usar vários tipos de dispositivos. Não é apenas o telefone, é o relógio, óculos, etc. Haverá cada vez mais dispositivos conectados. Por isso, o wifi continua se atualizando”, afirma Dey.

Empresário em fundo desfocado usando Wi-Fi gratuito interface hotspot 3D renderização
Com grande contribuição para democratizar o acesso à internet, o wifi poderá perder espeço para novas tecnologias, como internet via satélite. Imagem: Shutterstock

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Alternativas ao wifi

Embora o wifi ainda tenha muito espaço para crescer e seja a tecnologia mais estável para conectividade, existem algumas alternativas que podem complementá-lo ou talvez até substituí-lo no futuro.

“O 5G está chegando à maioria dos países da Europa, Estados Unidos e América Latina. O problema é que a maioria das implantações de 5G foi baseada em 4G. Portanto, levará alguns anos para haver uma verdadeira implementação de 5G”, diz Sujit Dey.

Até o final de 2026, o 5G deverá responder por cerca de 43% dos pacotes de assinatura na América Latina, de acordo com um estudo da Ericsson. Mas os custos costumam ser mais altos.

Existe também a possibilidade de transmissão de dados através da luz. O Li-Fi pode fornecer acesso à Internet cem vezes mais rápido que o wifi tradicional, com velocidades de até 1 gigabit por segundo (Gbps).

A desvantagem dos roteadores wifi tradicionais é que vários dispositivos no mesmo espaço podem interferir uns nos outros. Já o Li-Fi pode usar várias luzes em uma residência sem interferência, diz seu criador.

Para Dey, esse tipo de tecnologia é muito eficaz para ambientes internos, mas exige um custo adicional de infraestrutura. Por isso, não é uma alternativa barata.

Existe também a conectividade com satélites. Empresas como a Starlink, do bilionário Elon Musk, oferecem serviço de internet de banda larga via satélite de alta velocidade em locais remotos e rurais por um plano mensal de US$ 110 (R$ 585) com um custo único de equipamentos de US$ 599 (R$ 3,2 mil).

“O Starlink é uma adição inovadora ao nosso portfólio de conectividade. Acho que ela tem o potencial de aumentar a implantação de satélites existentes e tornar essa tecnologia talvez mais acessível e difundida”, diz Stanley.

No entanto, a comunicação via satélite tem uma latência alta, isso significa que o atraso é maior que o do wifi ou do celular.

“Acho que a melhor conexão será por via aérea, porque o custo da infraestrutura é muito menor. Você pode acessar áreas onde não existe fibra ótica, especialmente em países subdesenvolvidos que desejam se tornar mais desenvolvidos”, afirma.

É claro que existem várias tecnologias que estão sendo testadas e serão usadas no futuro para se conectar. Portanto, o pós wifi ainda terá muitas notícias para serem divulgadas.

Via: BBC

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