Por uma questão de ideologia, como membro do Partido Verde da Alemanha, a ministra do Meio Ambiente do país, Steffi Lemke, é contrária ao uso de energia nuclear. No entanto, mudanças recentes no cenário energético europeu, provocadas, principalmente, pela guerra russo-ucraniana, podem fazer com que ela decida estender a vida útil da usina nuclear Isar 2, a noroeste de Munique.

Steffi Lemke, ministra do Meio Ambiente da Alemanha, é contra o uso de energia nuclear. Imagem: Heinrich-Böll-Stiftung / Creative Commons

Segundo informa o site Bloomberg, essa usina fornece cerca de 12% da eletricidade anual da região da Baviera e alimenta mais de 3 milhões de residências no maior estado da Alemanha por área terrestre. 

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Juntas, as três usinas nucleares ainda existentes na Alemanha geram cerca de 6% da produção elétrica total do país – que decidiu abandonar a energia atômica após o acidente em Fukushima, no Japão, em 2011, o que está sendo feito gradativamente.

Dessa forma, as usinas remanescentes estão programadas para ficar offline em dezembro, segundo o  jornal alemão Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung (FAZ). Esses planos, no entanto, foram traçados antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, afetando o abastecimento de energia em todo o continente europeu.

A usina nuclear Isar 2 é uma das três remanescentes em funcionamento na Alemanha, desde que o país decidiu abandonar esse tipo de energia. Imagem: Eder – Shutterstock

O ministro da Economia e vice-chanceler alemão, Robert Habeck, membro do mesmo partido de Lemke, encomendou outra análise da segurança energética depois que uma avaliação anterior concluiu que o fornecimento não estaria sob risco nos próximos meses e que as usinas nucleares não seriam necessárias. Não se sabe quando os resultados do último estudo serão divulgados.

“A escassez de gás prevista pela Agência Federal de Rede é enorme e afetará todas as áreas do setor energético”, disse Alexander Dobrindt, líder da oposição na câmara baixa do parlamento, em entrevista ao jornal Welt am Sonntag, publicada no sábado (30). “É por isso que o governo federal deve finalmente tomar a decisão de que as usinas nucleares podem continuar operando. Seremos expostos à brutal tentativa de Vladimir Putin de desestabilizar o Ocidente através do terror energético por muito tempo”.

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“Prolongar a vida útil dos reatores até 2023 é o passo certo para garantir nosso fornecimento de energia e fornecer alívio ao mercado de eletricidade”, disse Christian Duerr, líder da bancada liberal no parlamento. 

Para ele, estender o termo também é uma questão de solidariedade. “Não vejo como nós, na União Europeia, poderíamos explicar que estamos desligando usinas de energia em funcionamento por razões ideológicas, enquanto a França teme um apagão de eletricidade. Esse debate não é só sobre nós, mas também sobre nossos vizinhos, porque dependemos deles quando se trata de gás”.

O Escritório Alemão para a Segurança da Gestão de Resíduos Nucleares argumentou que “estender a vida útil de um punhado de reatores faria apenas uma contribuição muito pequena para o fornecimento de energia” e que os riscos envolvidos seriam mais catastróficos.

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