Na última sexta-feira (26), foi inaugurada em Resende (RJ) a 9ª cascata da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN) das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia

De acordo com um comunicado da empresa, “com a ampliação, a INB reduz o seu grau de dependência na contratação do serviço de enriquecimento isotópico no exterior para a produção de combustível das usinas nucleares nacionais”.

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Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, na inauguração da 9ª cascata de ultracentrífugas da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio da Fábrica de Combustível Nuclear (FCN) das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) , em Resende (RJ). Imagem: Divulgação INB

O evento contou com a participação de Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia, que ressaltou que a INB é uma empresa estratégica para o Brasil e tem vantagens competitivas em relação a outros países do mundo em relação à energia nuclear. “Nós temos grandes reservas de urânio no país, mineral fundamental para a fabricação do combustível nuclear, nós dominamos a tecnologia de combustível nuclear e somos um país que tem necessidades energéticas muito grandes por ser um país continental”.

Para o ministro, a energia nuclear é fundamental para a transição energética do mundo. “E o Brasil poderá cooperar muito com a comunidade internacional, por essas características que têm: pela tecnologia que domina, pelas reservas minerais que possui e também por ter empresas como a INB”, destacou Albuquerque. 

Depois da inauguração da unidade, o presidente da INB, Carlos Freire, conduziu o ministro para assistir a uma demonstração do processo de enriquecimento de urânio, que contou também com a presença de outros representantes do Ministério de Minas e Energia, da Marinha do Brasil, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), do Executivo e do Legislativo do município, além de outras instituições e de funcionários da INB.

Brasil está entre os 13 países detentores de instalações de enriquecimento de urânio do mundo

“Essa é mais uma conquista para a INB e para o país, o que reflete a sinergia entre a empresa, a Marinha do Brasil, o Ministério de Minas e Energia e as instituições do setor nuclear brasileiro”, disse Freire.

Ele destacou que a tecnologia de enriquecimento isotópico do urânio pelo processo da ultracentrifugação tem importância estratégica para o Brasil por ser uma tecnologia de ponta dominada por poucos países. De acordo com a World Nuclear Association, somente um seleto grupo de 13 países são reconhecidos internacionalmente pelo setor nuclear como detentores de instalações para enriquecimento de urânio com diferentes capacidades industriais de produção.

Segundo Freire, a implantação da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio da FCN será realizada, de forma modular, em duas fases.

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“A nossa expectativa é concluir a primeira etapa até o final de 2022. Em seguida, o desafio será a implantação da Usina Comercial de Enriquecimento de Urânio, a UCEU, que prevê a instalação de 30 cascatas de ultracentrífugas”, revelou. “Quando todas estiverem em funcionamento, seremos autossuficientes na produção de urânio enriquecido. Ou seja, a INB será capaz de suprir, com produção nacional, a demanda das usinas nucleares de Angra 1, 2 e 3”, finalizou.

Tecnologia de energia nuclear desenvolvida pela Marinha do Brasil

De acordo com a empresa, a entrada em operação da 9ª cascata – cujo investimento foi de R$54 milhões – possibilitará o alcance da capacidade de produção para atendimento de 65% da demanda das recargas anuais de Angra 1, correspondendo a um acréscimo de cerca de 5% em relação à capacidade atual. Segundo o IPEN, o núcleo do reator de Angra 1 é composto por 121 elementos combustíveis, dos quais 40 são trocados uma vez por ano. Como cada um deles pesa 600 kg, são necessárias 24 toneladas anuais de urânio enriquecido.

Nessa primeira etapa do projeto, feito em parceria com a Marinha do Brasil, a meta é concluir a instalação de dez cascatas de ultracentrífugas na FCN. “Com a entrada em operação da 10ª cascata, será atingida a capacidade de 70% da demanda anual necessária ao abastecimento de Angra 1”, diz a INB.

Segundo a empresa, as ultracentrífugas são fornecidas em regime de comodato pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP). A tecnologia de enriquecimento do urânio pelo processo da ultracentrifugação foi desenvolvida pelo CTMSP em parceria com o IPEN, com o intuito inicial de criar o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, um projeto que faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

Quando a implantação da usina estiver concluída, “o Brasil passará à condição de autossuficiência de enriquecimento de urânio”, segundo a IBN.

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