Uma equipe internacional de cientistas propõe uma técnica baseada em plasma para produzir oxigênio em Marte, no intuito de apoiar a exploração humana do planeta. Os resultados da pesquisa foram publicados no Journal of Applied Physics.

Astronauta em Marte
A presença humana em Marte depende da produção de oxigênio no local, e alguns estudos buscam a melhor forma de fazer isso. Crédito: dottedhippo/istockphoto

Como todos sabemos, o oxigênio é um gás fundamental para ambientes respiráveis, suporte de vida, produção de combustíveis e apoio à agricultura. Ser capaz de colhê-lo in loco em Marte será vital para futuras missões tripuladas. No entanto, produzir oxigênio por lá representa um grande desafio. 

Embora haja muito do elemento químico oxigênio na atmosfera marciana, ele está preso em moléculas de dióxido de carbono, que são muito difíceis de quebrar. “É aqui que o plasma pode ajudar”, explica o autor Vasco Guerra, físico da Universidade de Lisboa, em Portugal, em comunicado. 

Segundo Guerra, o plasma contém partículas livres de carga, incluindo elétrons, que são leves e facilmente aceleradas a energias muito altas com campos elétricos.

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“Quando elétrons colidem como bala com uma molécula de dióxido de carbono, eles podem decompô-la diretamente ou transferir energia para fazê-la vibrar”, disse o cientista. “Essa energia pode ser canalizada, em grande parte, para a decomposição de dióxido de carbono”.

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De acordo com o site Space.com, os pesquisadores esperam que a técnica possa proporcionar altas taxas de produção de oxigênio com instrumentação relativamente leve.

“Juntamente com nossos colegas na França e nos Países Baixos, demonstramos experimentalmente a validade dessas teorias”, disse Guerra. “Além disso, o calor gerado no plasma também é benéfico para a separação do oxigênio”.

A abordagem poderia complementar a Experiência de Utilização de Recursos in-situ de Oxigênio em Marte (MOXIE, na sigla em inglês) da NASA, uma demonstração tecnológica a bordo do rover Perseverance. 

O MOXIE extrai dióxido de carbono da atmosfera e o transforma em oxigênio e monóxido de carbono, mas para que isso aconteça em uma escala significativa, um dispositivo similar precisa consumir uma enorme quantidade de energia.

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