Levar a humanidade de volta à Lua é o principal objetivo espacial dos EUA para os próximos anos, por meio do Programa Artemis. O país, no entanto, não é o único com essa ambição: China e Rússia também estão no páreo.

Levar a humanidade de volta à Lua: este é o objetivo da mais nova corrida espacial, que envolve a Rússia e a China de um lado, e do outro os EUA, países da União Europeia e outros. Imagem: Castleski – Shutterstock

Isso reflete um pouco do que permeou a corrida espacial nas décadas de 1960 e 1970, quando os norte-americanos, com o Programa Apollo, venceram a disputa com a então União Soviética (URSS) pelo título de primeira nação do mundo a colocar os pés em solo lunar.

Naquela época, a questão era muito mais “egoica” do que científica. O mundo estava em plena Guerra Fria, um período de tensão geopolítica entre os dois países e seus respectivos aliados, o Bloco Oriental e o Bloco Ocidental, após a Segunda Guerra Mundial.

Pisar na Lua e fincar sua bandeira em solo lunar foi a forma que os EUA encontraram para “ir à forra”, depois que a nação rival conseguiu o feito de levar o primeiro homem ao espaço (o cosmonauta Yuri Gagarin, em 1961).

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Tornar a Lua habitável para os seres humanos

Hoje, a conquista da Lua é pautada pelas disputas não apenas entre essas duas superpotências, mas também conta com a participação cada vez mais importante da China. 

Desta vez, no entanto, não se trata apenas de deixar pegadas cravadas no solo lunar. Mais do que isso, o objetivo é estabelecer uma base permanente para os seres humanos no nosso satélite natural, servindo, futuramente, como um ponto de acesso para outros corpos do espaço profundo – sendo Marte o primeiro alvo.

Países querem estabelecer uma base fixa humana na Lua para exploração do astro e do espaço profundo. Imagem: Stephane Masclaux – Shutterstock

Para isso ser possível, primeiro é necessário descobrir como tirar o máximo proveito possível dos recursos naturais da Lua permitindo uma permanência mais constante de astronautas por lá – é aí que começa a briga, muito antes de qualquer missão tripulada pousar ali. E esses três países são os principais competidores nessa concorrência para mineração do astro, conforme o Olhar Digital abordou aqui.

A Rússia e a China trabalham juntas em um projeto anunciado em março de 2021, chamado Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), que, como o Programa Artemis, visa estabelecer uma base perto do polo sul da Lua.

Por sua vez, os EUA contam com pelo menos 20 países comprometidos com os Acordos Artemis (incluindo o Brasil). Entre eles, alguns com participações realmente efetivas, por meio de suas agências espaciais federais de tradição (como a Agência Espacial Europeia – ESA – representando seus países-membros, além das agências do Japão – JAXA – e do Canadá – CSA).

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De acordo com a Administração Espacial da China (CNSA), existem três fases principais da ILRS: reconhecimento, construção e utilização. A primeira fase já está em andamento, analisando dados coletados pela missão robótica Chang’e 4, que pousou no lado distante da Lua em janeiro de 2019.

A fase de reconhecimento continuará ao longo dos próximos anos com o trabalho de missões robóticas adicionais, ainda para serem lançadas, como Chang’e 6, Chang’e 7 e as sondas russas Luna 25, Luna 26 e Luna 27. 

Por fim, a etapa de construção, de aproximadamente uma década, começará em 2026, apresentando mais missões robóticas pela China, Rússia e, quem sabe, futuros parceiros internacionais. Se tudo correr de acordo com o plano, a ILRS estará pronta para sediar missões tripuladas a partir de 2036.

Este cronograma, no entanto, é apenas uma proposta, não um compromisso firmado. Ainda mais depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, o que deixou o projeto em escalas mais baixas de prioridades. Travar uma guerra é caro, e a Rússia pode acabar desviando recursos de seu programa espacial para sustentar os conflitos. 

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