A revolução tecnológica está cada vez mais rápida. A inteligência artificial deixou de ser ficção científica e tornou-se parte de nossas vidas. É comum, enquanto navegamos pelo Twitter ou até mesmo no Linkedin, vermos ilustradores e artistas fazendo testes de ferramentas de IA, como o Midjourney, Stable Diffusion e DALL-E, por exemplo.

Contudo, é preciso falar do impacto desse avanço tecnológico também no meio artístico. Estarão os artistas ameaçados pela IA ou se aproveitando do momento para redescobrir a forma de fazer arte?

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Já está entre nós, o  Botto, um artista robô que usa IA para gerar imagens. Ele foi criado pelo artista alemão Mario Klingemann e é governado por humanos, através de uma DAO, comunidade descentralizada controlada por algoritmos computacionais. A cada semana, a tecnologia artística envia 350 obras de arte para sua comunidade, que então vota em sua favorita. Os votos são usados ​​como feedbacks para o algoritmo generativo do Botto, orientando qual direção ele deve tomar em sua próxima série artística.

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Robô. Imagem: Nature – YouTube

A peça escolhida pela comunidade é colocada em leilão no SuperRare, um marketplace de NFTs baseado na Ethereum. O rendimento volta para a comunidade da seguinte forma: 30% é destinado para o tesouro da DAO, 30% são disponibilizados como AirDrop, 20% vão para um programa de mineração de liquidez e 20% para infraestrutura do projeto. Vale dizer que 52 peças de arte já estão programadas ao longo de 52 semanas. A primeira foi cunhada em 22 de outubro de 2021, na SuperRare. O leilão faturou cerca de 325.000 dólares.

Mas como funciona a tecnologia?

A tecnologia usa uma combinação de modelos de softwares, chamados VQGAN + CLIP, GPT-3, que geram imagens a partir de frases. Estes programas são arquiteturas de rede neural que analisam milhões de obras de artes, rostos, animais, objetos, imagens, movimentos artísticos, poemas, entre outros. Foram configurados para absorver conteúdo rapidamente, de forma que nenhum humano conseguiria fazer, nem que estudasse a vida toda.

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Uma regra importante é que a ferramenta não aceita interferência humana no processo de criação. Além do mais, a plataforma é contra qualquer “trapaça” ou orientação humana que não seja votar pela escolha das próximas séries.

Para gerenciar a governança e os votos, o projeto lançou o token BOTTO. É a partir dele que um investidor pode ajudar na valoração. Porém, se quiser participar do processo de criação de arte, o mesmo terá que trocar o BOTTO por um VP (Poder de Voto). Desse modo, a pessoa terá livre acesso para opinar na confecção das próximas artes.

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Muitos artistas passam a vida tentando vender suas obras como o Botto. Durante seu primeiro ano de vida, o robô arrecadou mais de 1,5 milhão de dólares, muito mais que diversos poetas, escritores, pintores e diretores de cinema. É fácil perceber que com a inteligência artificial uma competição dura entre humanos e robôs vai se estender também no meio das artes.

A vinda do Botto pode ser sinônimo de expressão colaborativa e inovação, ou também um demonstrativo assustador de como a tecnologia pode tomar nossos lugares em diversos aspectos.

Seguimos atentos.

Luciano Mathias é CCO da TRIO

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