Pesquisadores suíços descobriram uma forma de devolver os movimentos de pessoas com paralisia grave parcial ou completa nos membros inferiores devido dano à medula espinhal. De acordo com o estudo, publicado na revista científica Nature, o segredo está em uma mistura de estimulação elétrica celular e fisioterapia intensa. 

A forma de terapia, chamada de estimulação elétrica epidural (EES), foi testada primeiro em um modelo animal, para entender o funcionamento das células e as diferenças entre humanos e animais, posteriormente, o experimento foi aplicado em nove pessoas com lesões crônicas na coluna e com pouca ou nenhuma sensação nas pernas; surpreendentemente, as nove voltaram a andar. Todos os voluntários relataram melhorias quase que imediatas, que continuaram evoluindo mesmo após os cinco meses de tratamento. 

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Como funciona a terapia EES? 

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que a estimulação elétrica da medula espinhal pode reverter a paralisia, mas o motivo da remissão nunca ficou muito claro. Lesões na medula espinhal podem interromper a cadeia de sinais do cérebro, impedindo comandos para andar, mesmo que neurônios lombares específicos ainda estejam intactos. Após descobrir quais eram esses neurônios (ou células nervosas) responsáveis pelo ato de caminhar, a equipe então decidiu estimulá-los a partir do método. 

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O estímulo ocorreu com a ajuda de um neurotransmissor implantado cirurgicamente na coluna dos voluntários. Eles também foram submetidos a um processo de ‘neurorreabilitação’ intensiva que envolveu um sistema de suporte robótico que os auxiliava enquanto se moviam em várias direções. 

Imagem: shutterstock/create jobs 51

Ao fim da terapia, todos os nove pacientes já conseguiam suportar seu próprio peso e dar passos com a ajuda de um andador para estabilidade. Deles, quatro não precisaram mais do EES ligado para andar. A recuperação sugere que a estimulação desencadeia a remodelação dos neurônios espinhais, trazendo de volta a capacidade de locomoção.  

Além disso, a equipe também observou que, durante o ato da caminhada, menos neurônios ficavam ativados, o que segundo o neurocientista Grégoire Courtine, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Lausanne, significa que o cérebro já está adaptado àquela ação. 

“Quando você pensa sobre isso, não deveria ser uma surpresa, porque no cérebro, quando você aprende uma tarefa, é exatamente isso que você vê — há cada vez menos neurônios ativados à medida que você ficar melhor nisso”, explicou o especialista à revista científica, a qual também publicou o estudo original

“A quantidade de esperança que dá às pessoas com lesão na medula espinhal é incrível”, acrescentou Marc Ruitenberg, neurologista da Universidade de Queensland em Brisbane, Austrália, que estuda lesões na medula espinhal. 

Imagem: shutterstock/Magic mine

O grupo pontuou que, claro, há muito ainda a ser investigado, principalmente porque o atual processo é apenas um componente de uma cadeia muito complicada e complexa de mensagens e células receptoras. Contudo, pode-se afirmar que “esses experimentos confirmaram que a participação de alguns neurônios [especificamente os SC Vsx2::Hoxa10, conforme o estudo] é um requisito fundamental para a recuperação da caminhada após a paralisia”, concluíram. 

Para Courtine, embora a volta dos movimentos seja um avanço importante, os próximos passos da equipe incluem trabalhos com os membros superiores (braço, antebraço e mão), além de descobrir uma forma de também devolver a essas pessoas o controle da bexiga, do intestino e da função sexual. Confira aqui artigo completo.  

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