Cientistas podem ter descoberto a peça mais antiga no continente europeu de um Homo sapiens: uma mandíbula. Encontrado em 1887, na cidade de Banyoles, na Espanha, pensava-se que a estrutura pertencia a um neandertal. Porém, uma nova análise descartou a hipótese, pois além da datação -entre 45 mil e 66 mil anos atrás- os pesquisadores não encontraram semelhanças com outros restos de neandertais.

Até então, a forma arcaica do osso, levou os cientistas à conclusão de que a estrutura de fato pertencia a um neandertal. Ainda, eles consideravam que a datação era do Pleistoceno Superior, época em que os neandertais eram abundantes na Europa.

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Além das características citadas, o paleoantropólogo Brian Keeling, da Universidade de Binghamton, nos EUA, também destacou um elemento que na época do primeiro exame levou os pesquisadores a descartarem a possibilidade de se tratar de um osso de Homo sapiens: a ausência de queixo. Durante a investigação, Keeling e seus colegas utilizaram a morfométrica geométrica tridimensional. Trata-se de um protocolo não invasivo que consiste em mapear exaustivamente as características da mandíbula para compará-las com outras estruturas.

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No estudo, os pesquisadores digitalizaram em 3D as imagens obtidas e reconstruíram as peças que faltavam. A partir do resultado, eles puderam comparar a mandíbula de Banyoles, encontrada na Espanha, com as mandíbulas de neandertais e de humanos modernos. “Banyoles não compartilhava traços neandertais distintos e não se sobrepunham aos neandertais em sua forma geral”, declarou Keeling. O paleoantropólogo também apontou que os traços se pareciam mais os Homo sapiens, exceto pela falta do queixo.

Reprodução: BinghamtonUniversity/YouTube

Teste de DNA e comparação com a mandíbula de outros humanos

O queixo é considerado uma característica definidora do Homo sapiens em comparação com outros seres humanos arcaicos. Ao aprofundar a investigação, os cientistas compararam o osso com um de um humano moderno de cerca de 37 mil a 42 mil anos atrás, que foram encontrados na Romênia. E para a surpresa da equipe, aquele ser humano também tinha um queixo.

Após uma análise do DNA da mandíbula e a comparação feita com ossos anteriores de Homo sapiens da África é que foi possível chegar as algumas hipóteses. Em primeiro lugar, a mandíbula provavelmente pertencia a um híbrido, pois ele tem DNA neandertal; em segundo lugar, os Homo sapiens oriundos da África eram indivíduos que tinham queixos menos pronunciados do que agora.

Portanto, há duas possibilidades. Ou Banyoles pertencia a um Homo sapiens de um grupo anteriormente desconhecido que coexistiu com os neandertais na Europa do Pleistoceno Superior; ou era um híbrido entre o Homo sapiens desse grupo desconhecido e um humano antigo ainda a ser identificado.

Apesar de restarem essas duas hipóteses, a certeza de que se tratava de um neandertal foi completamente descartada. Para resolver o mistério, agora os pesquisadores precisam sequenciar o DNA do osso. Se for confirmado que se trata de um Homo sapiens, ele será o mais antigo já encontrado na Europa.

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