A Antártica possui muitos segredos e pode revelar muito sobre o passado da Terra. Sob a espessa camada de gelo do continente, um grupo internacional de pesquisadores realizou o estudo mais detalhado da história climática recente do planeta.

Publicada nesta quarta-feira (11) na revista Nature, a pesquisa liderada por cientistas da Universidade do Colorado em Boulder (CU Bolder) apresenta dados de temperatura de verão e inverno que datam de 11 mil anos atrás.

Um campo de pesquisa na Divisão da Camada de Gelo da Antártida Ocidental (WAIS). Crédito: Bradley Markle

De acordo com o site Phys, este é o primeiro estudo sobre a temperatura sazonal da Terra baseado na análise de núcleos de gelo coletados na Antártica.

“O objetivo da equipe de pesquisa era ultrapassar os limites do que é possível com as interpretações climáticas do passado e, para nós, isso significava tentar entender o clima nas escalas de tempo mais curtas, neste caso sazonalmente, do verão ao inverno, ano a ano, por muitos milhares de anos”.

Tyler Jones, principal autor do estudo, em declaração ao site Phys

Ciclos de Milankovitch

Além de analisar a temperatura sazonal de um período de tempo de 11 mil anos, o estudo também comprova uma hipótese levantada há um século por Milutin Milankovitch de que os movimentos realizados pela Terra influenciam a longo prazo no clima do planeta.

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Essa descoberta ajuda os cientistas a compreender os padrões climáticos do planeta e identificar quais mudanças climáticas são naturais e quais são ocasionadas pelos humanos, com o aumento das emissões dos gases do efeito estufa e consequente elevação da temperatura global.

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Estudos de climas passados com base no gelo

A pesquisa de climas passados com base em blocos de gelo já é utilizada há bastante tempo pelos cientistas. As amostras de gelo, geralmente, são coletadas de cilindros que são retirados a partir de perfurações em camadas de água congelada. 

As amostras fornecem dados sobre a concentração de gases atmosféricos do passado e de temperaturas antigas. A maior amostra de gelo coletada tem 3,4 quilômetros de comprimento e 12 centímetros de diâmetros. Os cilindros são divididos em pedaços menores que são transportados para análises em diversos laboratórios.

11 mil verões e invernos revelados pelo gelo da Antártica

Para pesquisa de temperaturas sazonais, foi utilizado um núcleo de gelo retirado no Manto de Gelo da Antártica Ocidental. Os cientistas analisaram as proporções de isótopos da água no gelo que revelaram dados de temperaturas passadas e circulação atmosférica. Além disso, foi possível observar as transições entre as eras do gelo e o aumento da temperatura.

Jones e os outros pesquisadores precisaram desenvolver um método de estudar o gelo que sofre um processo chamado difusão, que desfoca o detalhamento dos dados. Para isso, os cientistas estudaram durante 15 anos núcleos de gelo de alta qualidade para corrigir o desfoque. 

Agora, os pesquisadores pretendem estudar núcleos de gelo de alta qualidade de outras regiões do planeta para entender melhor como as temperaturas globais variam.

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