Estrelas jovens podem sufocar planetas

Pesquisadores descobriram como o campo magnético de estrelas pode afetar a formação de planetas e explodir suas atmosferas
Mateus Dias, editado por Flavia Correia 12/01/2023 09:20, atualizada em 12/01/2023 20:48

Algumas estrelas liberam tanta energia, que são capazes explodir a atmosfera de planetas que as orbitam. E isso muitas vezes acontece antes mesmo que qualquer tipo de vida possa ter a chance de se firmar. Um novo estudo observou um aglomerado estelar que pode trazer luz sobre como se dá esse processo de destruição.

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Aglomerado de estrelas NGC 3293. (Crédito da imagem: NASA/CXC/Penn State Univ./K. Getman et al.; Infravermelho: ESA/NASA JPL-Caltech/Herschel Space Observatory/JPL/IPAC; NASA JPL-Caltech/SSC/Spitzer Space Telescope; Óptico: MPG/ESO/G. Beccari)
Uma imagem do Telescópio Espacial Hubble do aglomerado estelar NGC 3293 sobreposta por dados do Observatório de Raios-X Chandra em pontos magenta marcando fontes brilhantes de raios-X. Créditos: NASA/CXC/Penn State Univ./K. Getman et al.; Infravermelho: ESA/NASA JPL-Caltech/Herschel Space Observatory/JPL/IPAC; Telescópio Espacial JPL-Caltech/SSC/Spitzer da NASA; Óptica: MPG/ESO/G. Beccari

A pesquisa, publicada no The Astrophysical Journal, analisou um grupo de cerca de 6 mil estrelas jovens que se formaram na mesma época, entre 7 milhões e 25 milhões de anos atrás. Eles investigaram como o campo magnético dessas estrelas jovens pode afetar a formação de planetas a partir de seu disco protoplanetário.

Para realizar o estudo, os pesquisadores usaram o Observatório de raios-X Chandra, um telescópio espacial lançado pela NASA em 1999. As estrelas contidas em cerca de doze aglomerados emitem uma grande taxa de raios-X, que são consequência dos campos magnéticos estelares. 

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Magnetismo e formação planetária

A emissão de raios-X está diretamente ligada a estrelas que são magneticamente mais ativas. Conforme o nível dessas radiações eletromagnéticas emitido por elas, os cientistas podem identificar um brilho constante nos primeiros anos de vida estelar.

O brilho constante é seguido por um declínio do magnetismo que ocorre entre 7 e 25 milhões de anos, que varia de acordo com a massa do astro. Quanto mais pesado o corpo, mais rápida é a queda da atividade magnética.

Em um dos aglomerados estudados, o NGC 3293, as jovens estrelas já existem há tempo suficiente para que o campo magnético diminua ou, como acontece em estrelas muito grandes, deixe de existir. 

O estudo descobriu que as altas emissões de raio-X e raios ultravioletas dessas estrelas provavelmente extinguiram os gases e poeira de seus discos de acreção em um período de tempo muito rápido.

Isso, além de inibir a formação planetária, faz com que os planetas que consigam se formar corram grande risco de ver suas atmosferas ricas em hidrogênio sendo removidas em alguns milhões de anos. A única alternativa para esses planetas seria criar uma resposta à atividade magnética estelar, com outro campo magnético tão forte capaz de manter sua atmosfera segura.

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Mateus Dias

Mateus Dias é estudante de jornalismo pela Universidade de São Paulo. Atualmente é redator de Ciência e Espaço do Olhar Digital

Flavia Correia
Flavia Correia

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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