Conforme noticiado pelo Olhar Digital, na próxima segunda-feira (27) a SpaceX vai lançar para a Estação Espacial Internacional (ISS) a missão Crew-6, sob contrato com a NASA, levando quatro astronautas para uma temporada de aproximadamente 180 dias no laboratório orbital. Durante esse período, eles vão conduzir uma série de experimentos.

Resumo:

  • O lançamento da missão SpaceX Crew-6 será às 3h45 (pelo horário de Brasília), a partir do Complexo de Lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy, da NASA, na Flórida, e será transmitido em tempo real pelos canais oficiais agência;
  • Os astronautas vão viajar a bordo da cápsula Crew Dragon Endeavour no topo de um foguete Falcon 9;
  • O evento será transmitido ao vivo pelos canais oficiais da NASA;
  • São quatro homens na tripulação: o comandante Stephen Bowen, o piloto Warren “Woody” Hoburg, o astronauta especialista em missão Sultan Alneyadi – dos Emirados Árabes Unidos (EAU) – e o cosmonauta russo especialista em missão Andrey Fedyaev;
  • Eles vão atracar a cápsula Crew Dragon Endeavour no porto avançado no módulo Harmony da estação espacial cerca de 24 horas após a decolagem;
  • A NASA divulgou alguns dos experimentos que a tripulação vai conduzir na ISS.

Leia mais:

Experimentos que serão conduzidos pela missão SpaceX Crew-6

Testes de combustão

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Esta imagem mostra uma chama de acrílico queimando em microgravidade para o primeiro teste de SoFIE-GEL em 13 de janeiro de 2023, que analisou como a temperatura do combustível afeta a inflamabilidade do material. Créditos: NASA

A missão Crew-6 vai dar prosseguimento à pesquisa de combustão utilizando o hardware de Ignição e Extinção de Combustível Sólido (SoFIE) na instalação Combustion Integrated Rack (CIR) da ISS. Anteriormente, o teste SoFIE-GEL observou como a temperatura do combustível afeta a inflamabilidade de materiais. 

Agora nesta missão, o SoFIE-MIST vai assistir à queima do material em microgravidade sob diferentes condições. Os testes serão realizados alterando parâmetros, como fluxo de ar, concentração de oxigênio e níveis de radiação externa e pressão

Os resultados dos testes ajudarão em futuras missões espaciais para avaliar o quão inflamável serão os materiais usados na construção de espaçonaves e outros equipamentos, ajudando na segurança da tripulação. Além disso, eles também poderão ser usados em modelos de combustão aqui na Terra

Monitoramento imunológico

O astronauta da ESA Alexander Gerst e a astronauta da NASA Serena Auñón-Chancellor conduzem uma coleta de amostra de sangue para Functional Immune, uma investigação que analisou as mudanças que ocorrem no sistema imunológico dos tripulantes durante o voo. Créditos: NASA

O sistema imunológico humano sofre alterações quando é exposto à microgravidade, provocadas pelo estresse do voo. A Agência Espacial Europeia (ESA) elaborou um Ensaio de Imunidade, um teste imunológico funcional para monitorar como os estressores dos voos espaciais afetam as funções imunológicas celulares. Até agora, este teste só podia ser realizado na Terra e era feito antes e depois do voo.

Agora, o teste poderá ser realizado nos tripulantes da Crew-6 durante a missão devido a um tubo de ensaio recentemente desenvolvido para fornecer dados das alterações das funções imunológicas enquanto o corpo ainda está passando pelo estresse do voo espacial. 

O teste será feito a partir de amostras de sangue e coletas de saliva que poderão ajudar a estabelecer contramedidas às alterações do sistema imunológico.

Chips de tecido

Imagem pré-voo de uma BioCell, desenvolvida pela BioServe Space Technologies, que contém 162 esferoides cardíacos pulsantes a serem incubados no espaço como parte do Cardinal Heart 2.0, um experimento que testa drogas para proteger a função das células cardíacas. Créditos: Joseph Wu, Dilip Thomas e Xu Cao, Stanford Cardiovascular Institute

O Centro Nacional para o Avanço das Ciências Translacionais (NCATS) dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, e o Laboratório Nacional da ISS estão trabalhando em uma colaboração conhecida como Tissue Chips in Space (algo como “chips de tecido no espaço”). Os cientistas realizam testes em chips de tecido, que podem imitar funções de órgãos humanos a bordo da estação espacial.

Em um primeiro voo, os chips foram desenvolvidos e tiveram seus sistemas testados. Agora, a Crew-6 será o voo de teste de terapia das duas últimas investigações do experimento:

  1. O Cardinal Heart 2.0 testará a eficácia de medicamentos na prevenção de alterações nas funções das células cardíacas e da expressão genética durante o voo espacial. Os resultados poderão ser utilizados para o desenvolvimento de remédios para o tratamento de insuficiência cardíaca;
  2. O Engineered Heart Tissues-2 vai testar as terapias que visam prevenir as alterações do tecido que causam doenças cardíacas quando o indivíduo é levado ao espaço. O resultado vai ajudar futuros exploradores espaciais e pessoas com tendência a desenvolverem problemas cardiovasculares aqui na Terra.

Esses testes são realizados no espaço porque a microgravidade faz com que os cientistas consigam modelar e observar mudanças que levariam muito mais tempo para acontecer aqui na Terra.

Vida em órbita

Astronauta da NASA Victor Glover testa métodos de coleta para o experimento ISS External Microorganisms, que examina micróbios liberados da estação espacial para ajudar a limitar a contaminação em futuras missões de exploração. Créditos: NASA

Durante a estadia no laboratório orbital, os tripulantes da Crew-6 também vão realizar algumas caminhadas espaciais. Nelas, os astronautas coletarão amostras para o ISS External Microorganisms, experimento que visa avaliar se a espaçonave libera microorganismos, em que quantidade e a que distância eles podem chegar.

Todos esses testes são importantes para determinar se são necessárias mudanças em espaçonaves e trajes espaciais ainda em fase de desenvolvimento, o que evitará gastos futuros quando os equipamentos já estiverem prontos.

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