Um grupo de pesquisadores da Universidade de Hong Kong desenvolveu um tipo de adesivo com microagulhas que promete tratar efetivamente a acne, doença de pele que provoca cravos, espinhas, cistos, caroços e cicatrizes. Embora condição seja comum e tratável com antibióticos, as atuais opções não funcionam para todos. 

O que você precisa saber: 

  • A acne ocorre quando as glândulas secretoras de óleo (glândulas sebáceas) se tornam inflamadas ou infectadas, provocando os cravos, espinhas, etc.; 
  • A infecção acontece porque os folículos capilares entopem com o óleo e células mortas da pele, criando um ambiente propício para que a Propionibacterium acnes se desenvolva; 
  • O novo dispositivo libera nanopartículas na pele capazes de matar essa bactéria causadora da acne; 
  • A erradicação do microrganismo é feita mediante a exposição a ondas de ultrassom. 

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A pesquisa, publicada no periódico científico Science Advances, indicou que o novo método pode ser uma alternativa para pessoas que não conseguem efetividade nos tratamentos atuais. O uso de antibióticos contra a condição, por exemplo, além de não funcionar em todos os pacientes, com o tempo, pode colaborar para o desenvolvimento de resistência ao fármaco — problema de superbactérias que vem crescendo há alguns anos, com reconhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS)

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Como funciona o adesivo contra a acne? 

Segundo o estudo, o adesivo de microagulha é feito de pequenas folhas de polímero com minúsculos pinos preenchidos com medicamentos. Assim, quando pressionado contra o corpo, o adesivo faz com que as microagulhas penetrem a pele, dissolvendo e liberando a substância carregada no organismo. Ainda conforme os pesquisadores, o procedimento é indolor. 

Adesivo com microagulhas. Imagem: Xiang et al./Science Advances

O remédio aplicado pelas agulhas é descrito como uma “estrutura baseada em zinco orgânico-metálica”. Com o adesivo na pele, a região infectada é exposta a pulsos de ultrassom, processo que faz com que as nanopartículas produzam substâncias químicas chamadas de “espécies reativas ao oxigênio”, que matam as bactérias do local. 

Imagem: Xiang et al./Science Advances

Segundo testes realizados em camundongos, o procedimento de exposição no ultrassom foi capaz de matar 99,73% da bactéria nas espinhas tratadas com o adesivo. Além disso, os íons de zinco liberados pelas nanopartículas ainda ajudaram a ativar os fibroblastos, as células jovens responsáveis por recuperar a pele. 

Apesar de ainda não ter sido testado em humanos, os cientistas acreditam que os resultados são promissores e dão esperança ao futuro do tratamento de acne. Outro ponto positivo com a descoberta, é que o processo possivelmente irá servir para tratar outras infecções de pele, como as originadas por fungos ou parasitas. 

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