O que sabemos sobre o núcleo interno da Terra é que ele é sólido, composto majoritariamente de ferro, um pouco de níquel e outros elementos em menor quantidade. Agora, uma nova pesquisa sugere que ele não é tão homogêneo quanto pensávamos.

O núcleo interno possui 2442 quilômetros de diâmetro, equivalente a apenas 1% do volume total do planeta. No entanto, é graças a ele que existe vida na Terra. Ele é responsável pela existência da magnetosfera, sem ela os ventos solares se chocariam diretamente com a atmosfera, destruindo-a e tornando a superfície um lugar inabitável.

A ciência não sabe exatamente como ele se formou, cresceu e evoluiu ao longo do tempo, mas a partir da observação das ondas sísmicas de terremotos naturais, pesquisadores da Universidade de Utah tem tentado desvendar esse mistério. E algumas descobertas já foram reveladas, como o fato dele não ser homogêneo, sendo formado por diferentes “tecidos”.

Pela primeira vez, confirmamos que esse tipo de heterogeneidade está em toda parte dentro do núcleo interno 

Guanning Pang, principal autor da pesquisa, em resposta a Phys

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Observando o interior da Terra

O objetivo da pesquisa recentemente publicada na revista Nature era investigar o interior do núcleo interno, no entanto, essa é uma tarefa difícil. Para isso, foram utilizados dados gerados por uma rede global de matrizes sísmicas configuradas para detectar explosões nucleares, implementada depois do Tratado de Proibição Abrangente de Testes Nucleares da Organização das Nações Unidas.

Embora projetado para detectar explosões nucleares, os dados do sistema já foram utilizados várias vezes para realizar pesquisas tanto sobre o interior da Terra, quanto nos oceanos e na atmosfera. Dessa vez, ele permitiu que as ondas sísmicas da crosta e que vibram através do manto e do núcleo, pudessem ser sentidas.

A pesquisa analisou 2.455 terremotos com magnitude superior a 5,7 na Escala Richter e a força como as ondas sísmicas chegaram até o núcleo interno ajudou a mapear o seu interior.

Núcleo interno da Terra não é homogêneo

Até 1963, pensava-se que todo o núcleo era líquido devido às temperaturas do interior da Terra, no entanto, a sismóloga dinamarquesa, Inge Lehmann, descobriu que em algum momento da história geológica da Terra, parte dele se solidificou devido à pressão do interior do planeta.

Não se sabe com certeza quando isso aconteceu, mas a análise das ondas sísmicas revelaram que ele é heterogêneo e que a falta de homogeneidade tende a ser mais forte à medida que se aproxima do centro da Terra, isso devido a forma como as ondas sísmicas se dispersam no interior do núcleo.

Achamos que esse tecido está relacionado com a rapidez com que o núcleo interno crescia. Há muito tempo, o núcleo interno crescia muito rápido. Chegou a um equilíbrio e depois começou a crescer muito mais lentamente. Nem todo o ferro se tornou sólido, então algum ferro líquido pode ficar preso dentro dele.

Keith Koper, sismólogo envolvido no estudo

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