Por Rafagan Abreu, CTO do transferbank

Após o isolamento social decorrente da pandemia de Covid-19, houve uma aceleração significativa em diversas profissões no que tange ao trabalho remoto. É o caso do setor de TI. Um estudo feito por uma fintech, por exemplo, revela que, entre 2020 e 2023, a quantidade de pessoas que moram no Brasil e prestam serviços para empresas no exterior cresceu em 491%.

Desses profissionais, aqueles que estão no segmento de tecnologia e atuam como desenvolvedores de software são os mais requisitados por essas companhias, fazendo com que a função seja a mais frequente, com um percentual de 84%, entre todas no ramo.

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Motivos para esse cenário

Há uma série de motivos para o aumento dessa demanda por parte das marcas. Com as mudanças constantes no âmbito tecnológico e o desenvolvimento rápido de novas ferramentas inovadoras, os talentos realmente qualificados estão cada vez mais difíceis de achar nos mercados locais. E, tendo em vista que vivemos em um mundo globalizado e que estabeleceu o home office como uma modalidade sólida nos ambientes institucionais, o leque de opções de contratação também se expandiu.

Já do lado dos profissionais, especialmente quando estamos falando do Brasil, a alternativa de trabalhar para uma empresa estrangeira tem se demonstrado atrativa não só por essas condições. Primeiramente, a inclinação geralmente se deve a uma perspectiva de crescimento de carreira muito melhor do que a apresentada em terras brasileiras. E há alguns motivos para isso, como a integração a organizações internacionais de renome, oportunidade de praticar uma língua estrangeira ou até, em alguns casos, pela possibilidade realocação para algum outro país.

Além disso, os melhores salários e benefícios em moedas estrangeiras fortes proporcionam um aumento no poder de compra. Não à toa, outro levantamento, desta vez feito com mais de 20 mil candidatos registrados na base da Icon Talent, plataforma especializada em recrutamento em TI, mostra que 75% dos trabalhadores do ramo estão dispostos a abandonar o mercado brasileiro para ganhar em dólar.

Nesse sentido, é fundamental fazer um adendo, principalmente pelo fato de o trabalho remoto se tratar de uma tendência: já que esses profissionais geralmente não recebem pagamentos em real, a demanda por serviços de câmbio e remessas internacionais acaba crescendo proporcionalmente às contratações. Ou seja, o que temos visto é uma procura maior pela oferta de soluções financeiras que facilitem essas transações, podendo influenciar nas taxas de câmbio entre moedas e afastando cargas tributárias elevadas.

Como a maioria dos especialistas de TI que estão passando a trabalhar remotamente para empresas estrangeiras são Pessoas Físicas (PFs) disfarçadas de Pessoas Jurídicas (PJs), a prioridade deles é a de um atendimento prático, mas que não perca a sua humanização. Em outras palavras, há uma preferência por jornadas digitalizadas e em plataformas que valorizem a experiência do usuário, além, é claro, da oferta de taxas mais justas nas operações.

Daniel Krieger, CEO da edtech Kenzie Academy, especializada na formação de profissionais de tecnologia, destaca que a popularização do ensino de programação no país impulsiona ainda mais o fenômeno:

No passado, um programador era obrigado a se mudar para um grande centro para conseguir emprego, o que reprimia o aumento da oferta desses profissionais. Agora, vemos um efeito de mão dupla: com a possibilidade de trabalhar remoto, mais pessoas estão buscando aprender programação. Consequentemente, isso impulsiona as empresas a oferecerem mais vagas remotas, criando um leque de oportunidades para serviços de transações em moeda estrangeira voltados para este público.

Conclusão

Por causa desse contexto, as instituições financeiras mais tradicionais e os bancos estão ficando menos atrativos aos olhos daqueles que precisam receber pagamentos do exterior. No lugar deles, algumas corretoras de câmbios e fintechs disponíveis no mercado brasileiro têm se destacado com soluções que visam trazer melhorias e vantagens às atividades relacionadas ao câmbio, porém de forma transparente e segura.

Com esses novos formatos ligados ao mercado de trabalho atual, é certo crermos na grande probabilidade do futuro profissional ser ainda mais globalizado e flexível. Sem a necessidade de estarem fisicamente presentes em um escritório e com a expectativa do aumento frequente de projetos disruptivos ao redor do mundo, os especialistas de TI estão criando uma nova visão de carreira. Isso pode levar a uma maior valorização das suas habilidades e à oferta de melhores condições trabalhistas e de remuneração. Portanto, é um setor que definitivamente vem provando que os ecossistemas de inovação e empreendedorismo em diferentes regiões do planeta seguem em um movimento de aproximação.

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