As plataformas de gelo da Antártica atingem um mínimo de verão em fevereiro, e um aumento no inverno, com máximo em setembro. No entanto, neste ano, o gelo marinho que era para estar crescendo rapidamente está se expandindo em câmera lenta.

Os registros desses picos e vales do gelo antártico começaram em 1979, e até 2015 era perceptível que no inverno as plataformas ficavam quase 6 vezes maiores do que o mínimo do verão, tendo um ligeiro aumento ano a ano. No entanto, nos últimos anos isso mudou.

A área ocupada pelo gelo no verão caiu drasticamente em 2016 e depois um novo recorde foi quebrado em 2017. Nos anos seguintes, as plataformas de gelo continuaram menores e em 2022 um novo recorde foi estabelecido. Mais recentemente, fevereiro de 2023 registrou uma queda de 10% em relação ao verão passado, o que equivale a 1,79 milhões de quilômetros quadrados.

De lá para cá, os pesquisadores perceberam que o crescimento do gelo estava muito abaixo do esperado para época do ano e em julho, essa diferença foi enorme. Uma área maior que a Groenlândia era para estar congelada.

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Derretimento do gelo na Antártica e mudanças climáticas 

O gelo antártico possui uma enorme importância para o mundo, principalmente para deixá-lo mais frio. Por ser uma superfície branca ele acaba refletindo boa parte da energia irradiada pelo Sol de volta para o espaço. Além disso, as plataformas acabam sendo um importante controle das correntes oceânicas. 

A perda do gelo no outro lado do planeta, no Ártico, está fortemente ligada às mudanças climáticas, mas o declínio que vem ocorrendo na Antártica é muito mais complexo. Os modelos atuais que consideram o aumento das temperaturas oceânicas e atmosféricas indicam que esse evento pode estar relacionado, mas não é possível dizer com certeza se é apenas um ponto fora da curva dos registros ou o primeiro sinal de uma redução contínua induzida pelo aquecimento global.

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